POKEMON 30 ANOS! OS ANTAGONISTAS MAIS ICÔNICOS DA FRANQUIA!


A franquia de entretenimento de mídia mais rentável de todos os tempos está fazendo 30 anosA franquia de entretenimento de mídia mais rentável de todos os tempos está fazendo 30 anos! E vamos celebrar essa data com uma análise dos antagonistas mais icônicos que enfrentamos durante essa longa jornada!

Ao contrário das outras franquias aqui analisadas, em que comparamos pilhas de corpos causadas por anti-heróis e vilões, mortes são muito raras em pokemon. Os heróis dessa franquia são mais puros do que praticamente todos os super-heróis da Marvel e da DC. Os vilões são geralmente perdoados e reintegrados à sociedade, mesmo que tentem cometer crimes hediondos e quase destruam o mundo. O poder da amizade geralmente vence.

As batalhas pokemon são frequentemente comparadas a rinhas. Mas em Pokemon Legends: Arceus descobrimos que as batalhas pokemon começaram como uma forma dos guarda-costas da vila de Jubilife treinarem seus pokemon para proteger as vilas e a eles mesmos quando se aventurassem na natureza. Kamado menciona que sua cidade natal foi incendiada por pokemon enfurecidos, então a captura e treinamento de pokemon claramente tem um saldo utilitário positivo. A deontologia também não é contra a domesticação de animais para proteção, como cães de guarda, por exemplo.

EQUIPE ROCKET

O trio principal da equipe rocket no anime é frequentemente responsável pela evolução dos pokemon dos protagonistas e nunca consegue roubar os pokemon que eles querem roubar. É difícil dizer que eles têm saldo utilitário negativo. Eles até ajudam os heróis em algumas situações, notavelmente no segundo filme, em que ajudam Ash a salvar o mundo. São anti-heróis que se dizem vilões.

Nos jogos, eles costumam ser responsáveis por roubo de pokemon e invasão de propriedade, mas até mesmo Giovanni recompensa o jogador com a insígnia da terra após a batalha de ginásio de Viridian, e em Legends:ZA, Corbeau diz que Giovanni o ajudou muito na juventude, portanto ele tem um senso de honra e é anti-vilão.
Em Ultra Sun/ Ultra Moon, o Giovanni chefe da Equipe Rainbow Rocket conseguiu dominar o mundo em seu universo, e agora quer dominar o multiverso.

MEWTWO

Antagonista do icônico primeiro filme de pokemon no cinema, Mewtwo foi criado em laboratório para ser o pokemon mais forte do mundo. Logo que despertou, Mewtwo concluiu que os cientistas que o criaram não se importavam com ele e explodiu o laboratório. Entretanto, em um universo em que os membros da Equipe Rocket decolam de novo em todos os episódios, não se pode concluir que os cientistas morreram. Mais tarde, ele faz a mesma coisa com Giovanni e ele sobrevive.

Mewtwo sequestra uma enfermeira Joy, apaga sua memória e introduz memórias falsas. Também faz pokemon naturais e clones lutarem até a exaustão, mas não causa nenhuma morte permanente confirmada. Ash morre temporariamente, mas porque ele entra no meio dos golpes de dois pokemon poderosos. Todos os pokemon choram, até mesmo os que nem conheciam ele, mas seus amigos humanos não derramam nenhuma lágrima. No geral, o saldo utilitário de Mewtwo nesse filme é negativo, mas ele entende que as condições do nascimento de alguém não importam e leva seus clones para um lugar seguro, o que faz dele um anti-vilão.

EQUIPES AQUA E MAGMA

Essas equipes de Houen realmente acreditam que estão fazendo o bem para os pokemons que vivem na água e na terra respectivamente. Quando Archie e Maxie percebem que Kyogre/Groudon, respectivamente, irão causar inundações/secas generalizadas, eles se arrependem, a cabe ao jogador capturar os pokemon lendários e impedir mortes em larga escala. Apesar de nenhuma morte confirmada ser atribuída às duas equipes, o estresse que causaram na população de Houen é o bastante para que tenham saldo utilitário negativo e entrem na categoria de anti-vilões.

EQUIPE GALÁCTICA

Cyrus quer literalmente destruir o universo existente para criar um novo em que não haja emoções nem espírito humano, em que ele seja um deus. Cyrus confessa que está apenas usando sua equipe, e que nem eles terão lugar no novo mundo que ele quer criar. Caso tivesse sucesso, o saldo utilitário de Cyrus seria o pior possível, mas a simples perspectiva de que aquilo pudesse acontecer já faz com que seu saldo utilitário seja negativo. Sem características deontológicas positivas, Cyrus é um dos poucos vilões puros da franquia.

Nos jogos Ultra Sun/Ultra Moon, Cyrus diz que foi engolido por uma sombra no momento da vitória, e trazido para o universo dos jogos. Isso descreve o que aconteceu em pokemon Platinum, em que Giratina aparece como uma sombra e leva Cyrus para o mundo da distorção. Mas após ser derrotado, Cyrus volta para seu universo original para destruí-lo e criar um novo no lugar, fazendo desse Cyrus o personagem com o saldo utilitário mais negativo da franquia. Devo ressaltar que para o utilitarismo, são justamente as emoções que dão valor à vida. Um universo sem emoções não teria valor algum.

EQUIPE PlASMA

N foi criado por Ghetsis preso em um quarto, e foi apresentado somente a pokemon que foram maltratados por humanos. O incômodo que ele causa não é maior do que o que ativistas dos direitos dos animais causam na vida real, e os pokemon que ele usa contra o jogador em B/W têm felicidade no nível máximo em B/W2, então é seguro dizer que o saldo utilitário dele é positivo.

Ghetsis, por outro lado, é o verdadeiro chefe da Equipe Plasma e comete abuso infantil contra N, o usando para despertar Reshiram/Zekrom, e controlar a região de Unova. O discurso de libertação pokemon é só uma fachada para fazer com que apenas ele e talvez alguns membros fiéis da Equipe Plasma tenham pokemon para usá-los como armas contra quem desobedecê-los. Os abusos contra seus filhos adotivos N, Concordia e Anthea, bem como seu hydreigon, que tem a felicidade no nível mínimo, já são o suficiente para que seu saldo utilitário seja negativo. Ghetsis também não tem nenhuma característica deontológica positiva, o que o coloca na categoria de vilão puro.

O Ghetsis da Equipe Rainbow Rocket consegue seu objetivo e usa reshiram/zekrom contra o jogador. Não se sabe o que aconteceu com o N do universo desse Ghetsis, mas ele ataca fisicamente a Lillie e tenta fazê-la de refém!

EQUIPE FLARE

Lysandre já foi um filantropo, até decidir que o mundo tinha pessoas demais e decidir matar todo mundo exceto a Equipe Flare. Lysandre planejava também extinguir os pokemon para que as pessoas não os usassem como armas. Para isso, ele aciona a arma suprema.

Em Legends: ZA, é revelado que Zygarde salvou Lysandre do disparo da arma suprema, mas suas células se espalharam pelo mundo devido a isso. Lysandre ajuda a reunir as células de Zygarde, e manifesta arrependimento pelas suas ações em X/Y. Entretanto, as consequências do disparo da arma suprema ainda são sentidas em Lumiouse , mesmo 5 anos depois. A cidade passou por uma grande desvalorização imobiliária, a uma grande quantidade de pokemon foi atraída para a cidade. A máquina Ange foi ativada e a cidade quase foi destruída. Tudo que Lysandre faz em Legends: ZA é ajudar a concertar um problema que ele mesmo causou, o que não é o bastante para tornar seu saldo utilitário positivo. Portanto, ele entra na categoria de anti-vilão.

AZ

Apesar de acolher a Equipe MZ em seu hotel em Legends: ZA, AZ foi quem originalmente criou a arma suprema e a máquina Ange. Disparou a arma suprema há 3 mil anos atrás, matando centenas, talvez milhares de pessoas e pokemon. Sua ideia de mandar a floette para dentro da máquina Ange dá errado e a máquina se torna mais perigosa ainda. Assim como Lysandre, tudo o que ele faz apenas compensa parcialmente um problema que ele mesmo causou, tornando seu saldo utilitário negativo, e garantindo seu lugar na categoria de anti-vilão.

EQUIPE CAVEIRA

Vândalos que roubam pokemon de crianças, mas não querem matar ninguém e são amigos uns dos outros. Guzma, líder da equipe, inicialmente ajuda Lusamine em seus planos. Mas em US/UM ajuda o jogador a derrotar a equipe Rainbow Rocket. Como essa equipe inclui Cyrus e Lysandre, que têm saldo utilitário extremamente negativo, Guzma fica com saldo utilitário positivo, entrando na categoria dos anti-heróis.

Gladion se associa à equipe, rouba Type:Null do laboratório da mãe, mas tem a intenção de salvar Type:Null. Ajuda a salvar a irmâ, Lillie, quando ela é raptada por Lusamine com ajuda do resto da equipe Caveira.

LUSAMINE

Mãe de Gladion e Lillie, Lusamine se torna abusiva com eles e obcecada com as ultra beasts. Seu objetivo é abrir um ultra buracos de minhoca usando cosmog. Abre buracos de minhoca em toda Alola, causando uma invasão de ultra beasts na região. Diz proteger os pokemon, mas mantém alguns congelados em sua mansão, e maltrata Nebby e Type:Null.

ROSE

Empresário da região de Galar, Rose desperta eternatus para recriar o dia mais sombrio, o que leva inúmeros pokemon a dinamaximizarem sem controle. Ele pensa que isso é necessário para garantir que a região de Galar tenha energia mil anos no futuro. Embora seus motivos possam ser considerados nobres, para o utilitarismo, um benefício que só vai se concretizar mil anos no futuro, quando as pessoas e a maioria dos pokemon vivos hoje já terão morrido, não justifica o risco presente que a recriação do dia mais sombrio representa, colocando Rose na categoria de anti-vilão.

VOLO

Os planos de Volo são bem similares aos de Cyrus: ele quer destruir o mundo atual para criar um que julga melhor no lugar. Para isso, se une a giratina para criar a fenda no espaço-tempo. Isso dá origem aos pokemon alfas e à fúria dos pokemon nobres. Apesar de ajudar o protagonista diversas vezes durante a trama, tudo não passava de manipulação para que ele pudesse obter todos os plates , fazer Arceus aparecer, e subjuga-lo. Tem saldo utilitário amplamente negativo, e nenhuma virtude deontológica relevante, o que faz dele um vilão puro.

EQUIPE ESTRELA

Grupo de adolescentes que sofreram bullying na escola, decidiram revidar e ganharam má fama. A líder do grupo, Penny, comete pequenos crimes, como hackear o sistema da escola e fornecer LPs ao protagonista. Entretanto, ela faz isso por uma boa causa: dissolver a própria equipe e fazer seus membros voltarem à escola. Ajuda o protagonista a chegar até a máquina do tempo na cratera de Paldea e salvar a região. Penny é uma heroína mais “anti” em comparação à maioria dos outros heróis da franquia pokemon, mas ainda assim é mais pura do que a maioria dos heróis de outras franquias.

PROFESSORES SADA E TURO

Negligenciam Arven e são obcecados com a criação da máquina do tempo. São as únicas vítimas fatais conhecidas dos pokemon que eles mesmos trazem para o presente, mas a programação do androide que construíram e da própria máquina do tempo continuam a ser um risco para toda a região de Paldea. São exemplos do arquétipo do cientista bem-intencionado e descuidado, portanto, entram na categoria de anti-vilões.
>CORBEAU
O mais “anti” dos heróis de Lumiose em legends:ZA, Corbeau faz empréstimos com juros abusivos e depois força as pessoas a trabalharem pelo bem de Lumiose, mas ajuda a salvar a cidade duas vezes, tanto no fim da história principal quanto no fim da DLC.

⚖️ GALERIA DE JULGAMENTOS: 30 ANOS

N (Natural Harmonia): HERÓI (IDEALISTA). Saldo: Positivo. Felicidade máxima com seus Pokémon e prevenção de guerra civil.
CYRUS (Rainbow Rocket): VILÃO PURO (NIILISTA). Saldo: Infinito Negativo. Apagou as emoções e a vida de um universo inteiro.
GHETSIS: VILÃO PURO. Saldo: Negativo. Abuso infantil, manipulação política e tentativa de homicídio direta.
LYSANDRE / AZ: ANTI-VILÕES. Saldo: Negativo. Tentam consertar desastres que eles mesmos criaram (Arma Suprema).

⚖️ VEREDITO: Giovanni

DEONTOLOGIA (Conduta): Embora lidere uma organização criminosa, demonstra um senso de honra raro: respeita as regras da Liga (entrega a Insígnia da Terra) e possui histórico de lealdade, como o apoio a Corbeau.

UTILITARISMO (Saldo): NEGATIVO. O roubo sistemático gera insegurança social. Entretanto, ao manter o submundo sob um código de conduta, ele impede o caos absoluto que grupos niilistas causariam.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (ESTRATÉGICO)

⚖️ VEREDITO: Maxie e Archie

DEONTOLOGIA (Conduta): Idealistas que acreditam genuinamente no bem da natureza. Manifestam remorso imediato ao perceberem o erro de suas ações.

UTILITARISMO (Saldo): NEGATIVO. Quase causaram um colapso climático global (Inundação/Seca) por pura imprudência científica. O arrependimento não apaga o risco catastrófico gerado.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÕES (IDEALISTAS)

⚖️ VEREDITO: Lusamine

DEONTOLOGIA (Conduta): Falha grave ao abusar psicologicamente dos filhos e privar a liberdade de Pokémon. Age movida por uma obsessão estética egoísta.

UTILITARISMO (Saldo): NEGATIVO. A abertura dos Ultra Wormholes trouxe ameaças interdimensionais que colocaram Alola em risco de extinção, superando os benefícios de sua fundação filantrópica.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃ (OBSESSIVA)

⚖️ VEREDITO: Presidente Rose

DEONTOLOGIA (Conduta): Tinha a intenção nobre de evitar uma crise energética futura, mas traiu a confiança de aliados e atropelou protocolos de segurança por ansiedade e pressa.

UTILITARISMO (Saldo): NEGATIVO. Ao antecipar o "Dia Mais Sombrio", gerou um perigo imediato para resolver um problema de longo prazo, resultando em caos desnecessário para a região.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (ANSIOSO)

⚖️ VEREDITO: Volo

DEONTOLOGIA (Conduta): Manipulador total. Simulou amizade para usar o protagonista como ferramenta. Não possui lealdade a nada além do seu desejo de encontrar o Criador.

UTILITARISMO (Saldo): NEGATIVO. Causou a fenda temporal e o enfurecimento dos Nobres em Hisui, ameaçando o berço da civilização humana naquela era por capricho niilista.

CLASSIFICAÇÃO: VILÃO PURO

⚖️ VEREDITO: Sada e Turo

DEONTOLOGIA (Conduta): Negligência familiar e profissional extrema. Priorizaram a descoberta científica sobre a segurança global e a criação do próprio filho.

UTILITARISMO (Saldo): NEGATIVO. Criaram uma ameaça temporal (Paradox) que permanece como um risco ativo de desequilíbrio ecológico para Paldea, mesmo após suas mortes.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÕES (NEGLIGENTES)

⚖️ PRÓXIMO JULGAMENTO

Depois de analisar os 30 anos de Pokémon, você está pronto para o caso mais polêmico do Tribunal?
Descubra como a matemática prova que Light Yagami (Kira) é um anti-herói.


LER ANÁLISE DE DEATH NOTE →

DEATH NOTE: A MATEMÁTICA PROVA QUE KIRA É UM ANTI-HERÓI?


Light Yagami é um dos personagens mais polêmicos já criados. Isso porque ele coloca as duas grandes correntes filosóficas éticas em direto conflito: a deontologia e o utilitarismo. Light quebra quase todas as regras que a deontologia diz que uma pessoa boa deve seguir. Ele mata, mente, e não tem lealdade nem gratidão a seus aliados. Mas para o utilitarismo, o que importa é o saldo utilitário.

O SALDO UTILITÁRIO DE KIRA

À primeira vista, pode parecer óbvio que Kira tem um saldo utilitário negativo. Afinal, ele mata muita gente. Entretanto, algumas poucas páginas do mangá e cenas do anime revelam informações fundamentais: a taxa de criminalidade reduziu em 70% no mundo todo. O universo de Death Note é de baixa fantasia, o que significa que tudo é igual à vida real, a menos que se diga o contrário. Na vida real, mais de mil pessoas são assassinadas todos os dias. Portanto, ao reduzir a criminalidade em 70%, Light estava salvando mais de 700 pessoas por dia.

No mangá vemos que Light escreve os nomes em 5 colunas de 40 linhas cada. Isso dá 200 nomes por página. Mais tarde no mangá, é dito que Mikami preenche 1 página por dia, e Light acha que Mikami está matando muitos criminosos por dia, o que significa que Light matava menos pessoas por dia. Mesmo que Light matasse 200 pessoas por dia, como ele salvava 700, o saldo utilitário dele fica positivo, com menos 500 mortes por dia.

Light não matava apenas assassinos. Em tese, ele poderia causar a mesma redução no número de assassinatos matando menos gente. Mas mesmo as correntes utilitaristas que defendem que toda vida tem valor igual apoiariam o Light contra o L, pois o Light reduz o número total de mortes no mundo, e o L aumentaria o número total de mortes no mundo se tivesse sucesso. Para todas as correntes do utilitarismo, a atitude do L de tentar achar o Kira e manda-lo para o corredor da morte é indefensável. O mesmo se pode dizer de todos os investigadores. O dilema de death note é como o dilema do bonde. Para o utilitarismo, mesmo que todas as pessoas de todos os trilhos sejam inocentes, é uma obrigação moral desviar o bonde para o trilho com menos pessoas.

Quando L e os policiais que perseguem o Kira dizem que ele tem que ir para o corredor da morte porque é um assassino e viola a lei, eles estão seguindo a deontologia. Para a deontologia, a lei pode ser um fim em si mesmo. Ninguém se espanta com a frieza do pai do Light ao não se importar com a queda de criminalidade causada pelo Kira, mesmo que isso significasse que centenas de pessoas estavam sendo salvas por Kira. Isso porque as pessoas costumam esquecer que esses números representam pessoas. Mas para o utilitarismo, as pessoas representadas por números têm o mesmo valor que seus entes queridos. Se o pai do Light fizesse seu trabalho e tivesse sucesso, centenas de pessoas que seriam salvas por Kira iriam morrer e sofrer.

Para o utilitarismo, a lei é um instrumento para proteger as pessoas, e pode ser quebrada caso segui-la ponha mais pessoas em perigo. Também não há diferença entre mandar para o corredor da morte e matar o Kira diretamente. O resultado é o mesmo: Kira morto e um aumento drástico nos números de todos os crimes pelo mundo.

UNIVERSO DE DEATH NOTE X VIDA REAL

Quero deixar bem claro aqui que não estou defendendo que se faça justiça com as próprias mãos na vida real. Defender Light por seus resultados dentro do universo da obra não significa defender que se mate criminosos na vida real, assim como defender que o Batman é um dos heróis mais próximos de ser puro não significa defender que alguém se vista de morcego e bata em criminosos na vida real. Na vida real, raramente alguém é mais eficiente em resolver algum crime do que o Estado. Fazer justiça com as próprias mãos geralmente só faz com que criminosos se vinguem de você.

DITADOR?

Muita gente diz que Light seria um ditador, mas qualquer análise mais cuidadosa do universo de Death Note revela que isso está muito longe da verdade. Light não substitui o estado, ele é um poder paralelo. Ele não tem como pagar por espiões, ele não controla o orçamento do Estado, ele não controla a infraestrutura de informação, ele apenas a usa. Ele também não tem uma máquina de propaganda. As pessoas poderiam até ter medo de falar mal dele na TV, mas uma máquina de propaganda exigiria que as pessoas falassem bem dele.

Ele escolhia uma emissora de TV para ser a porta-voz dele, e as emissoras brigavam por isso por causa da audiência. Se fosse um ditador, ele se esforçaria para ter controle da narrativa. O Estado poderia limitar drasticamente o poder do Light proibindo o uso de câmeras e máquinas fotográficas. Sem saber o rosto do criminoso, ele não poderia fazer nada.

SEUS OBJETIVOS MUDARAM?

É comum que digam que os objetivos do Light mudam, e que no final, ele não se importava mais com a redução de criminalidade. Entretanto, a verdade é que ele mantém o objetivo de reduzir a criminalidade até o fim. Ele quer ser como um deus, mas ele quer especificamente ser como um deus que reduz a criminalidade. Ele fica incomodado quando Mikami começa a matar gente que cometeu crimes sem intenções más, e também quis corrigir Mikami imediatamente quando ele anuncia que vai matar gente que apenas tem histórico de criminalidade, mas não comete mais crimes. Ele pensa que o objetivo de Kira é assustar as pessoas para impedi-las de cometer novos crimes, e não tem motivo para matar quem já pagou por seus crimes. Isso acontece bem no fim do mangá.

EGOÍSTA?

Alguém que agisse por razões puramente egoístas iria exigir reconhecimento público, templos em seu nome e dinheiro. As pessoas chamam Light de egoísta, mas na verdade ele é menos egoísta que um voluntário de ONG. Ele não quer sacrificar metade de sua vida por olhos de shinigami, mas a maioria das pessoas não sacrificaria anos de sua vida por uma causa. Mesmo um voluntário de ONG pode ganhar amigos que retribuam o favor mais tarde. Light só ganhava inimigos que tentavam leva-lo para o corredor da morte. Querer impor sua visão de mundo é autoritarismo, e não egoísmo. E na verdade, no final, a maior parte da população apoia ele. São os inimigos dele que querem impor o ponto de vista deles à maioria.

PSICOPATA?

Inicialmente, Light fica visivelmente estressado quando percebe que o Death Note funciona, e no mangá ele aparece na cama sem conseguir dormir. Mas continua escrevendo nomes no Death Note para reduzir a criminalidade. Quando Ryuk visita ele, ele diz que tem problemas para dormir, perdeu 4 kg em 5 dias e fica surpreso quando Ryuk diz que não vai puni-lo. E a punição de um shinigami só poderia ser a morte. Oficialmente, Light tem 54kg e 1,79m de altura, portanto, permanece significativamente abaixo do peso. Ele é do tipo de pessoa que perde a fome se estiver sob estresse, e está sempre estressado.

Qualquer traço de psicopatia da personalidade do Light é reversível. Ao perder a memória do Death Note, ele volta à sua personalidade original, e passa a se preocupar com a Misa, recusando-se a manipular os sentimentos dela. Psicopatia é o nome popular do transtorno de personalidade anti-social, que, por definição, não é reversível. Se fosse reversível, psicopatas deveriam ser tratados como pacientes, não como criminosos a serem punidos. Portanto, mesmo que tivesse saldo utilitário negativo, Light entraria na mesma categoria do Lagarto e do Dr. Octopus, inimigos do Homem-Aranha.

L E NEAR

As falhas deontológicas de L também são graves. Ele não mata diretamente, mas tortura suspeitos. Misa chegou a implorar para que Rem a matasse após 1 semana sendo torturada por L. As pessoas subestimam o quão grave a tortura de Misa foi porque não havia sangue, nem ninguém batendo na Misa diretamente, mas manter uma pessoa amarrada exatamente na mesma posição por dias é extremamente doloroso.

Na vida real, ela estaria cheia de úlceras de pressão e não conseguiria andar por dias. Ainda assim, L continua a torturar Misa por semanas após ela pedir para morrer. Foi um ato condenável pela deontologia, e muito mais condenável do ponto de vista do utilitarismo, pois Kira tinha um saldo utilitário positivo, e tentar pegá-lo já era em si um ato indefensável.

O fim de Death Note expõe ainda mais a hipocrisia dos inimigos de Kira. Light é claramente vítima de excesso de força policial. O death note é uma arma inferior para confrontos a curta distância, mas ainda assim Matsuda atira em Light várias vezes, atingindo o tórax e o abdome. Os outros policiais impedem Matsuda de atirar na cabeça de Light, mas nem Near, nem ninguém se importa em leva-lo imediatamente para o hospital. Os ferimentos dele eram claramente fatais sem tratamento imediato, e ele quase certamente teria morrido mesmo se Ryuk não escrevesse o nome dele no caderno.

No fim do mangá, 1 ano após a morte do Kira, Matsuda diz que muitas pessoas ainda se recusam a acreditar que Kira morreu, mas a criminalidade voltou a ser o que era. O próprio Matsuda se pergunta se o que eles fizeram foi certo. Pelo ponto de vista do utilitarismo, o que eles fizeram foi indefensável, e custou a vida não só do próprio Light, mas de todas as vítimas de assassinatos que teriam sido evitados devido ao medo que os assassinos tinham de Kira. O fato de Matsuda ainda trabalhar com Near e os outros é particularmente revelador. Ele deveria ter sido preso pelo menos por tentativa de assassinato contra Light. Isso mostra que os supostos defensores da lei só a seguem quando bem entendem.

O VILÃO PURO

Death Note, na verdade, tem um vilão puro, que é o Mello. Ele quer pegar Kira não para defender a lei, mas para superar Near, não tem características deontológicas relevantes, sequestra pessoas, e é o responsável mais direto pela morte do pai do Light, que pelo ponto de vista da deontologia, é inocente. O fato de ter contribuído para a morte do Kira só deixa o saldo utilitário dele negativo para todas as subcategorias do utilitarismo, sobre as quais iremos falar nos próximos posts.

⚖️ VEREDITO: Light Yagami (Kira)

DEONTOLOGIA (Conduta): Apresenta a virtude da intenção inabalável de proteger inocentes, sacrificando sua própria saúde e paz (perda de 4kg e estresse crônico). Suas falhas (mentira e manipulação) são os meios para um fim altruísta.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): MASSIVAMENTE POSITIVO. Reduziu a criminalidade global em 70% e encerrou guerras. No cálculo frio de vidas, seu saldo é o maior registrado na ficção urbana: salvou milhões ao eliminar milhares.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-HERÓI (RADICAL)

⚖️ VEREDITO: L (Lawliet)

DEONTOLOGIA (Conduta): Possui a qualidade de dedicar-se à ordem pública, mas comete falhas graves: usa vidas como isca (Lind L. Taylor) e pratica tortura prolongada contra Misa. Age movido pelo desafio intelectual, não por empatia.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO. Trabalhou ativamente para destruir o sistema que salvava 700 vidas/dia. Se vencesse, seria o responsável direto pelo retorno dos índices de criminalidade anteriores.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO

⚖️ VEREDITO: Soichiro Yagami

DEONTOLOGIA (Conduta): Exemplar sob a ótica da lei tradicional. Homem de honra e incorruptível. Contudo, ignora o saldo positivo de Kira por apego dogmático ao código penal.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO. Ao tentar restaurar o sistema falho, ele trabalha para que as vítimas salvas por Kira voltem a sofrer nas mãos do crime. Sua virtude pessoal gera um dano sistêmico real.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (DOGMÁTICO)

⚖️ VEREDITO: Mihael Keehl (Mello)

DEONTOLOGIA (Conduta): Nula. Age por inveja de Near. Sequestra civis e é o responsável direto pela morte de Soichiro Yagami.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO. Suas ações não protegem ninguém. Ao desestabilizar o mundo Kira por puro ego, contribui para o retorno do caos global.

CLASSIFICAÇÃO: VILÃO PURO

⚖️ VEREDITO: Near e Matsuda

DEONTOLOGIA (Conduta): Matsuda falha pelo excesso de força (tiros em alvo neutralizado) e Near pela omissão de socorro. Ignoram a lei para satisfazer um desejo de punição.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): EXTREMAMENTE NEGATIVO. Um ano após matarem Kira, o crime voltou ao normal (100%). São os arquitetos do fim da era de paz, responsáveis morais pelo luto de milhares de novas vítimas.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÕES (PUNITIVISTAS)

O Rei Leão: Análise do Pior Sistema Político Já Criado

O Rei Leão marcou a infância de toda uma geração. Quem não se lembra da música impactante e da cena marcante onde os animais da savana se curvam para o rei Mufasa e para seu novo herdeiro? Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela um reino bem mais sombrio. Vou considerar aqui apenas os dois primeiros filmes animados, e não as animações mais realistas, nem A Guarda do Leão, nem os curtas de Timão e Pumba, pois elas contradizem umas às outras e aos primeiros filmes.

AS PRESAS SÃO OS PLEBEUS, AS CARNES SÃO OS IMPOSTOS

Os leões são a família real de um reino em que a maioria da população é de presas. E ao contrário do que acontece em Zootopia, os carnívoros não encontram uma fonte alternativa de alimento. Uma das primeiras lições que Mufasa ensina a Simba é que eles respeitam todas as criaturas do reino, até mesmo os antílopes. Quando Simba questiona, dizendo que eles comem antílopes, Mufasa diz que quando eles morrerem, virarão grama, e antílopes comem grama. Mas isso não é respeitar os antílopes.

O leão pode viver 20 anos comendo centenas de antílopes durante sua vida. Não estou aqui defendendo vegetarianismo, mas se os animais cantam, dançam e se curvam ao rei, então nesse universo eles são pessoas. Ironicamente, os gnus, que são uma espécie de antílope, têm uma grande participação na morte de Mufasa. Mas isso é tratado tanto por Mufasa quanto por Simba e pelos criadores do filme como algo terrível, não como mais uma etapa do ciclo da vida.

O MENOR DE DOIS MALES

Dois fatores tornam plausível a cena em que animais que são presas para leões comemorem o nascimento de um leão: amigos do rei são declarados membros da corte real não comestíveis, e Mufasa mantém as hienas fora do reino. Quando Scar assume o poder, ele convida as hienas para o reino. As leoas detestam a ideia. E certamente o aumento de animais carnívoros, que antes se alimentavam de carcaças e ossos de elefante, mas que agora têm acesso a mais presas vivas, significa a morte de milhares de “plebeus “ do reino.

HAKUNA MATATA É A RESPOSTA!

Timão e Pumba resgatam Simba e ficam visivelmente incomodados quando ele diz que quer comer outros mamíferos, que são falantes nesse universo. Eles o ensinam a comer insetos, que não falam e nem parecem ter consciência. Simba cresce e fica adulto comendo insetos, o que significa que há uma alternativa mais ética para a alimentação de leões nessa realidade.Os criadores do filme tratam o modo de vida de Timão e Pumba como uma fuga da realidade e a volta de Simba ao reino como a decisão de assumir a responsabilidade. Mas o modo de vida com Timão e Pumba era muito mais ético.

NÃO HÁ COMIDA NEM ÁGUA!

A principal reclamação de Nala e das outras leoas é que Scar deixa as hienas mandarem em tudo e que não há comida nem água. A “comida” são os plebeus. Ninguém se importa com os plebeus que morreram caçados pelas hienas ou de sede. As leoas atribuem esses problemas a Scar, mas leões e hienas não causam seca. Se a falta de “comida” fosse culpa de Scar e das hienas, haveria vegetação abundante devido à falta de herbívoros para comê-la. A única explicação possível para a crise ambiental do reino é a seca.

O REI SORTUDO

Simba assume a pedra do rei debaixo de chuva, a seca acaba, as hienas e as leoas apoiadoras de Scar são expulsas. O reino volta a ser verde e cheio de súditos para serem comidos, e Simba e Nala têm uma filha.
O MELHOR REI PARA OS PLEBEUS

Simba foi o melhor rei para o povo da savana, não por se importar mais com eles, mas por ser o mais intolerante com outros carnívoros. As presas são a maior parte da população, e para o utilitarismo, não importa que elas sejam figurantes, elas têm mais peso no cálculo utilitário. Ironicamente, Scar é o pior rei não por matar Mufasa e tentar matar Simba, mas por ser o mais tolerante com outros carnívoros. Scar convidou as hienas para o reino e aceita o bando de Zira. Ele não as exila apesar de estarem insatisfeitas com ele. Sim, ele bate em Sarabi, mas alguém seriamente acha que a Zira foi exilada sem lutar? Mas quando Scar é derrotado, as hienas o devoram vivo. O fato de Scar dizer para Simba que elas eram inimigas não é motivo para isso. Ele ataca Simba depois, então ele não tinha mudado de lado.

ROMEU E JULIETA?

No segundo filme, vemos que havia um grupo de leoas leais a Scar, e que Scar inclusive adotou o filhote de uma delas. Essas leoas são exiladas do reino e vivem em um local árido e com poucas presas. Elas passam fome e querem voltar para o reino de Simba. Kiara se apaixona por Kovu, um dos filhotes de Zira. Kovu dá aulas de caça para Kiara, e só não mata Timão porque ele é amigo da família de Simba. Certamente, Kovu não confundiu o barulho de um suricato na grama com o barulho de um inseto, o que mostra que Simba, apesar de sobreviver por anos e ficar adulto comendo insetos, não acabou com a matança de mamíferos em seu reino. Naquele momento, aquilo era uma escolha, não uma necessidade.

A VOZ DO POVO!

Um dos únicos momentos em que ouvimos a voz dos plebeus da savana é durante a música “não é uma de nós”, quando Kovu estava sendo expulso do reino. A música é cantada principalmente por uma zebra e por um antílope, e muitos animais participam da expulsão de Kovu. As aves bicam, os macacos jogam pedras, cobras tentam picar e antílopes tentar chifrar. Mas os criadores do filme querem que você se importe com Kovu e Kiara, não com as centenas de plebeus inocentes que teriam que morrer para alimentar mais um leão. Por isso, “câmera” do filme foca nas expressões de sofrimento de Kovu e Kiara.

UMA TRAGÉDIA PARA O POVO!

Kiara e Kovu conseguem unir os dois bandos, e dobram o número de leões em um ecossistema em equilíbrio. Antes, os leões do exílio claramente passavam fome. Leões mais bem alimentados significam mais presas mortas. A grama é abundante e não há sinais de que os herbívoros precisem de controle populacional adicional. Os criadores querem que você acredite que esse final é feliz, e a música de fundo é calma e alegre. Mas o dobro de leões significam o dobro de mortes entre as presas. A maioria dos plebeus ficam quietos observando as novas bocas carnívoras que eles vão ter que alimentar com sua própria carne, e com a carne de seus parentes e amigos. Kovu passa boa parte do filme dizendo que ele não é igual ao Scar, mas para a maioria da população do reino, ele é exatamente isso, pois aumenta a quantidade de carnívoros no reino.

⚖️ VEREDITO: Mufasa e Simba

DEONTOLOGIA (Conduta): Falha ética grave ao sustentar um sistema onde a elite devora seus próprios súditos falantes. Seguem o "Ciclo da Vida" para justificar o consumo da plebe.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): POSITIVO (RELATIVO). Embora matem presas, eles mantêm um número menor de carnívoros no reino. Comparados ao governo de Scar, que permitiu uma matança desenfreada ao incluir as hienas, Simba e Mufasa garantem um saldo de sobrevivência maior para a população geral.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-HERÓIS


⚖️ VEREDITO: As Hienas

DEONTOLOGIA (Conduta/Lealdade): Apresentam uma ausência total de princípios éticos ou lealdade. Seguem Scar apenas pelo acesso fácil à comida e o devoram vivo no momento em que ele perde o poder. Não possuem o senso de honra ou dever que os leões (mesmo os exilados) demonstram.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): MASSIVAMENTE NEGATIVO. São predadores oportunistas que, ao serem inseridos no reino, causaram um desequilíbrio populacional e o aumento desenfreado da matança das presas. Não produzem ordem, apenas consumo.

CLASSIFICAÇÃO: VILÕES PUROS

⚖️ VEREDITO: Scar

DEONTOLOGIA (Intenção/Conduta): Apresenta uma contradição ética profunda. Possui pontos positivos ao demonstrar inclusão social (aceitar as hienas) e lealdade grupal (acolher o bando de Zira e adotar Kovu). Contudo, comete a falha deontológica máxima ao assassinar o próprio irmão para tomar o poder.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO. Sua gestão foi desastrosa. Ao permitir o excesso de predadores no reino, ele elevou a taxa de mortalidade das presas a níveis insustentáveis. Sua falha não foi a seca, mas a incapacidade de gerir os recursos (plebeus), resultando em fome e matança desenfreada.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO INCOMPETENTE

⚖️ VEREDITO: Timão e Pumba

DEONTOLOGIA (Conduta): Seguem a filosofia "Hakuna Matata" (viver sem preocupações). Resgatam um predador e o ensinam a não matar outros mamíferos.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): POSITIVO. Ao converterem Simba para uma dieta de insetos, eles salvaram centenas de vidas de presas que teriam sido devoradas durante o crescimento do leão. São os únicos agentes moralmente consistentes da obra.

CLASSIFICAÇÃO: HERÓIS UTILITARISTAS (REAIS)

⚖️ VEREDITO: Kiara e Kovu

DEONTOLOGIA (Intenção): Buscam a paz e a união entre as alcateias, superando preconceitos de grupo. Kiara demonstra virtude ao impedir o massacre final entre as leoas.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO PARA O ECOSSISTEMA. Embora evitem uma guerra imediata, a união dos bandos dobra a população de leões no Reino do Orgulho. O final "feliz" do filme é, na verdade, uma sentença de morte acelerada para centenas de zebras e antílopes adicionais.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÕES POR CONSEQUÊNCIA

O Arquétipo do Cientista Bem-Intencionado e Descuidado: Como Boas Intenções Podem Gerar Anti-Vilões?

É muito comum um filme de ficção científica começar com um cientista criando algo que em sua visão melhoraria a vida da humanidade. Entretanto, a invenção não funciona como o esperado e os resultados são catastróficos. Do ponto de vista do utilitarismo, os resultados das ações desses cientistas são claramente negativos, e não faz diferença para suas vítimas quais eram as suas intenções. A deontologia leva mais em consideração as intenções do indivíduo, e ele pode até ser considerado uma boa pessoa que cometeu um erro terrível. Vários filmes famosos têm personagens assim.

Frankeinstein

Foi o livro que inaugurou o arquétipo. Victor Frankeinstein é um cientista que deseja vencer a morte. Entretanto, após dar vida à sua criatura, a maltrata e a abandona. A criatura mata várias pessoas durante a história , colocando seu criador na categoria dos anti-vilões.

Jurassic Park

Jhon Hammond queria trazer de volta animais pré-históricos e encantar as pessoas. Entretanto, deixou o sistema de segurança do parque, que continha animais obviamente perigosos nas mãos de um único funcionário mal pago, com quem ele decidiu poupar despesas. O parque tinha óbvias violações de segurança. O primeiro dinossauro que vemos é um saurópode(pescoçudo) adulto. Não é porque o animal é herbívoro que ele não é perigoso. Elefantes são herbívoros, e nem por isso passeiam livremente pelos zoológicos.

O cientista chefe responsável pela criação dos animais é o Dr. Wu, mas ele talvez seja reincidente demais para ser considerado bem intencionado. Ao menos inicialmente, ele tomou medidas de segurança para que os dinossauros não se reproduzissem caso escapassem. Ele fez com que os dinossauros fossem sempre fêmeas e fossem deficientes em lisina, o que supostamente causaria a morte de indivíduos que escapassem.

Mas mesmo depois de todas as mortes causadas pelos dinossauros, em Jurassic World Dr.Wu cria a Indominus Rex, misturando DNA de tiranossauro, de velociraptor, e de vários animais modernos. Além de combinar o DNA das duas espécies de dinossauros que mais mataram pessoas, ainda combina o DNA deles com o de sépias para que o híbrido tenha capacidade de se camuflar. Isso não é uma característica útil para uma atração de zoológico, mas sim para um predador. Assim, Wu cruzou a linha de anti-vilão para vilão. Ele estava usando os recursos do parque para criar dinossauros como armas de guerra para o exército. E estava deliberadamente escondendo as espécies usadas na criação da Indominus Rex.

Como se não bastasse, em Jurassic World: Reino Ameaçado, Wu cria o Indorraptor, explicitamente como uma arma de guerra, que assim como boa parte dos dinossauros criados por ele, escapa e mata muitas pessoas.

Entretanto, em Jurassic World: Domínio, Wu se arrepende de criar os gafanhotos gigantes projetados para comer todas as plantações que não fossem de sementes criadas pela Biosyn, e solta gafanhotos com um patógeno para combater os demais. Com esse ato, Wu pode ser considerado um anti-vilão nesse filme. Ele se arrependeu, mas só eliminou um problema que ele mesmo criou, e seu saldo de vidas, mortes e sofrimento permanece negativo. No utilitarismo, não apagamos o passado com um único ato bom. O Dr. Wu salvou o mundo dos gafanhotos em Domínio, mas ele foi o homem que deu ao mundo os gafanhotos e os dinossauros assassinos de Jurassic World.

O Planeta dos Macacos

Will Rodman também se encaixa no arquétipo de cientista bem intencionado que causa uma catástrofe. Ele busca a cura para o Alzheimer para salvar o pai, mas quebra protocolos de segurança ao criar um chimpanzé afetado por um vírus experimental em casa. Chimpanzés são animais extremamente agressivos, fortes e perigosos. Criar um em casa é um crime. César só ataca alguém para proteger o pai de Will, mas na vida real, ataques de chimpanzés criados como animais de estimação causam danos graves e são quase inevitáveis. Will ama César, mas o melhor para ele seria viver em uma floresta. E o melhor para a humanidade seria que ele seguisse os protocolos de segurança e não trouxesse animais infectados com vírus experimentais para casa.

Will mais uma vez viola os protocolos de segurança ao testar seu vírus experimental no próprio pai, sem o conhecimento do laboratório. Seu desejo de salvar o pai é compreensível, mas tratamentos experimentais frequentemente têm efeitos colaterais graves. Uma minoria tem efeitos positivos. Inicialmente, o pai de Will melhora. Mas regride pouco tempo depois. Assim, Will cria um novo vírus que tivesse efeitos mais duradouros. Infelizmente esse novo vírus matou bilhões de pessoas, em uma pandemia que colapsou a civilização humana.

O saldo utilitário de Will é um dos mais negativos da ficção. Isso o coloca firmemente na categoria de anti-vilão, e prova que anti-vilões são tão ou mais perigosos do que vilões puros. Para as bilhões de vítimas do vírus que criou, não importa se Will queria salvar seu pai, nem se ele amava César.

Homem-Aranha

Dr. Connors, de O Espetacular Homem Aranha, pesquisa uma forma de regenerar membros amputados. Entretanto, ao usar a si mesmo como cobaia, se transforma em lagarto, tornando-se agressivo, causa destruição, mortes, e tenta transformar todos em lagartos como ele. Mas sua transformação é reversível, e ele pode retornar a sua personalidade normal, o que o distingue de um vilão puro.

Dr. Octopus, também inimigo do Homem-Aranha, é um homem bom que cria tentáculos robóticos com IA e se conecta a eles. Mas a IA corrompe sua mente, ele causa mortes e destruição. Assim como Connors, a reversibilidade dessa corrupção mental o impede de ser um vilão puro, mas os danos causados, sem benefícios que os compense, o separam das categorias de herói e anti-herói.

Menção Honrosa( ou desonrosa?): Dr. Miles Dyson, de O Exterminador do Futuro, cria a Skynet para melhorar a vida das pessoas, mas sua criação dizima a humanidade.

⚖️ VEREDITO: Victor Frankenstein

DEONTOLOGIA (Conduta/Intenção): Começa com o desejo nobre de banir a morte, mas comete a falha ética de abandonar sua criação sem guia, fugindo da responsabilidade.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO. Sua negligência resultou em assassinatos de inocentes e na destruição de sua própria família.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO

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⚖️ VEREDITO: Dr. Henry Wu

DEONTOLOGIA (Conduta/Intenção): Oscila entre curiosidade e egoísmo mercenário. Criou predadores como armas biológicas, abandonando a ética profissional.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): MASSIVAMENTE NEGATIVO. Gerou pragas globais e mortes sistemáticas. Tentar consertar o erro no fim não apaga o histórico de danos.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO

⚖️ VEREDITO: Will Rodman

DEONTOLOGIA (Conduta/Intenção): Intenção puramente altruísta de curar o pai, mas foi imprudente ao não prever o risco biológico global.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): EXTREMAMENTE NEGATIVO. Ao tentar salvar uma pessoa, causou uma pandemia que extinguiu a civilização humana.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO

⚖️ VEREDITO: Dr. Curt Connors

DEONTOLOGIA (Conduta/Intenção): Buscava a cura para amputados. Sua conduta moral foi corrompida por uma alteração biológica externa (o soro), retirando sua agência moral plena durante os ataques.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO. Causou destruição urbana e mortes. A reversibilidade de sua mutação o afasta da vilania pura, mas o saldo de dor gerado não é compensado por benefícios.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (Agência Comprometida)

⚖️ VEREDITO: Dr. Otto Octavius

DEONTOLOGIA (Conduta/Intenção): Cientista brilhante focado em energia sustentável. Foi vítima de uma corrupção mental causada pela Inteligência Artificial de seus tentáculos.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): NEGATIVO. Gerou mortes e caos financeiro/social. Assim como Connors, a reversibilidade de sua condição e sua intenção original o classificam no campo dos anti-vilões.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (Agência Comprometida)

⚖️ VEREDITO: Miles Dyson

DEONTOLOGIA (Conduta/Intenção): Possuía uma intenção puramente progressista de melhorar a vida humana através da tecnologia. Demonstrou grande virtude ao tentar destruir o próprio projeto ao descobrir o perigo.

UTILITARISMO (Saldo de Vidas): MASSIVAMENTE NEGATIVO. Sua pesquisa serviu de base para a Skynet, resultando no extermínio de bilhões de seres humanos.

CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO

Porque é Praticamente Impossível Ser Um Super-Herói Puro?

A deontologia é uma corrente filosófica ética que afirma que alguns atos são intrinsecamente errados, e que não importam as consequências desses atos. Portanto, matar é sempre errado, não importa se esse ato salvar um número maior de pessoas. Roubar é considerado uma falha menos grave, e mentir é uma falha leve.



Superman


Alerta de spoilers


Como já disse antes, um herói puro teria que ser bom tanto pelo ponto de vista do utilitarismo quanto pelo ponto de vista da deontologia. Super-heróis, principalmente os mais poderosos, enfrentam super-vilões igualmente poderosos. Esses vilões são capazes de destruir planetas inteiros, até mesmo galáxias inteiras, e em casos ainda mais extremos, universos inteiros. É impossível prendê-los na cadeia.

Quanto mais super é o super-herói, mais ele tem que enfrentar situações análogas ao dilema do bonde em escalas colossais. Por exemplo, o Superman sabe que a luta dele com o Zod vai destruir prédios e matar muita gente. Mas ele tem que lutar mesmo assim e matar Zod, violando o princípio mais forte da deontologia. Mas deixar Zod vivo significaria uma falha catastrófica do ponto de vista do utilitarismo, pois ele transformaria a atmosfera da Terra na atmosfera de Krypton, matando todos os terráqueos. Zod, por sua vez, quer salvar a sua espécie, podendo ser considerado um anti-vilão.


Batman


Já heróis como o Batman, por exemplo, que só é super por ser super rico, enfrentam vilões menos poderosos, como o Coringa, que é um perigo para a cidade, mas não para o planeta como um todo. Batman, na maioria das versões, segue à risca o princípio deontológico de não matar. Ele prende o Coringa, mas não o mata. O Coringa foge repetidamente da prisão e mata muitas pessoas. Do ponto de vista do utilitarismo, seria melhor se o Batman matasse o coringa. Mas atualmente, o utilitarismo mais utilizado é o utilitarismo escalar. As ações não se dividem em certas ou erradas, mas em vários níveis de bem e mal. Portanto, Batman pode manter um saldo utilitário positivo, seguir as regras mais importantes da deontologia, e ser um herói, mesmo que não mate o Coringa. Pelo menos, ele prende o Coringa, o que é melhor do que deixá-lo solto permanentemente.


MCU



Alerta de Spoilers


Um personagem que parece tentar seguir o utilitarismo, mas falha catastroficamente é o Thanos. Ele quer eliminar metade das pessoas do universo para que a outra metade possa viver melhor com mais recursos. O problema é que ele ignora o trauma na população restante por perder metade de seus familiares e amigos. Nós não vemos pessoas morrendo de fome nos filmes, e se houver, é um problema de distribuição de recursos, não de falta de recursos. Matando metade da população do universo, ele também elimina metade dos empregos, e o problema da fome geralmente é devido à falta de dinheiro. O saldo utilitário das ações dele é extremamente negativo.


Todos os Vingadores concordam que é necessário matar Thanos. Logo, todos eles são anti-heróis, alguns mais “anti” que os outros. Capitão América, se atendo a um princípio deontológico, se recusa a sacrificar Visão para impedir que Thanos obtenha sua joia e complete a manopla. Essa atitude o coloca tanto mais perto de ser herói puro quanto de ser anti-vilão. O que o “salva” de ser anti-vilão é o fato de que suas ações não foram determinantes para que Thanos completasse a manopla. O Dr. Estranho avaliou milhões de possibilidades de ação, e em apenas uma eles venciam, que foi a que aconteceu.


Os anti-heróis mais obviamente “anti” dos Vingadores são os Guardiões da Galáxia. Eles já eram criminosos antes de salvar a galáxia, e alguns ainda parecem não ter entendido que não podem roubar os pertences das outras pessoas mesmo que eles achem que querem mais do que a dona dos pertences. Eles são amigos uns dos outros, têm um saldo utilitário massivamente positivo, mas ainda não se livraram completamente de velhos hábitos.


Outro herói que tenta seguir a deontologia e fica ainda mais perigosamente perto de se tornar um anti-vilão é o Homem-Aranha no filme sem volta para casa, que estraga o feitiço do Dr. Estranho, solta vários vilões que foram parar em seu universo por sua culpa para salvá-los, e sua tia May é morta por um desses vilões. O que salva ele de ser um anti-vilão é a falta de confirmação deque outras pessoas morrem pelas mãos dos vilões.


Ele tenta ser um herói puro, e recebe outra lição dura de que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Os riscos do que ele fez foram altíssimos, e colocou em risco a própria estabilidade do multiverso. Com isso, ele quase se tornou tão anti-vilão quanto o homem lagarto, o clássico arquétipo de cientista bem intencionado cujas invenções dão terrivelmente errado. Conclusão: O Homem Aranha de Tom Holland está perto da fronteira entre o herói e o anti-vilão, mas do lado do herói até que se prove que os vilões que ele libertou mataram mais de 5 pessoas (que foi o número de vilões salvos).

Glossário de Termos do Tribunal

Para este blog não ser apenas uma questão de opinião, usamos dois critérios científicos de análise:

UTILITARISMO (A Ética do Resultado): O que importa é o saldo final. A escolha correta é aquela que preserva o maior número de vidas e reduz o sofrimento global. É uma matemática da sobrevivência.

DEONTOLOGIA (A Ética das Regras): O que importa é a conduta. Avalia se o personagem seguiu regras morais (como não matar ou ser leal), independentemente se o resultado foi bom ou ruim.

Como classificamos:

Anti-Herói: Tem um saldo de vidas positivo, mas usa métodos e/ou tem intenções que quebram as regras morais.

Anti-Vilão: Tem intenções "boas" ou segue regras morais, mas o resultado final de suas ações é um saldo de mortes ou sofrimento negativo.

Vilão: Saldo de vidas negativo , intenções más, métodos ruins

Herói: Saldo de vidas positivo , intenções boas, métodos bons

King Kong: Análise do filme de 2005.

O filme acompanha a jornada da atriz Ann que viaja com o diretor Carl Denham e sua tripulação até a infame Ilha da Caveira. Ao chegar lá, o grupo entra em conflito com os nativos, que capturam Ann e a oferecem em sacrifício para Kong. Ele a pega e a leva para seu território.

Em sociedades tribais, sacrifícios são usados como barganha para acalmar os deuses e evitar que eles levem ainda mais pessoas. Portanto, é provável que Kong raptasse e matasse as pessoas da ilha, e por isso os nativos desenvolveram a cultura de capturar inimigos e oferece-los em sacrifício. O mecanismo de “entrega” do sacrifício para Kong é uma construção que envolve muito tempo e esforço, principalmente para uma sociedade tribal. Eles não construiriam aquilo se não tivessem certeza de que Kong viria pega-la.

Ann usa suas habilidades de atriz para entreter Kong, que parece particularmente interessado em derruba-la repetidamente. Também não vemos nenhum sacrifício anterior vivo, o que é um mal prognóstico para o destino de Ann e para o saldo utilitário do nosso macaco gigante favorito. Ann tenta fugir de Kong, mas é cercada por dinossauros. Kong salva Ann dos dinossauros, mas ela não estaria lá se ele não tivesse levado ela em primeiro lugar.

Carl insiste em levar um animal gigante, extremamente forte e obviamente perigoso para a densamente povoada cidade de Nova Iorque. Kong se solta e mata inúmeras pessoas inocentes antes de encontrar Ann. Não há como negar. O saldo utilitário de Kong é negativo. Não importa se ele salvou Ann e matou figurantes e personagens menos importantes. Todos eles têm peso igual no utilitarismo. O vínculo com Ann é a única coisa que impede Kong de ser um vilão puro. Ann quer que Kong segure ela para que ele não mate mais gente nem seja morto pelos pilotos de avião.

Veredito:

Kong é anti-vilão: Saldo Utilitário claramente negativo, mas com uma característica deontológica positiva, que é o vínculo e o desejo de proteger Ann.

Ann: heroína pura. Não comete crimes, acalma Kong ao permitir que ele a pegue , e assim ele mata menos pessoas.

Glossário de Termos do Tribunal

Para este blog não ser apenas uma questão de opinião, usamos dois critérios científicos de análise:

UTILITARISMO (A Ética do Resultado): O que importa é o saldo final. A escolha correta é aquela que preserva o maior número de vidas e reduz o sofrimento global. É uma matemática da sobrevivência.

DEONTOLOGIA (A Ética das Regras): O que importa é a conduta. Avalia se o personagem seguiu regras morais (como não matar ou ser leal), independentemente se o resultado foi bom ou ruim.

Como classificamos:

Anti-Herói: Tem um saldo de vidas positivo, mas usa métodos e/ou tem intenções que quebram as regras morais.

Anti-Vilão: Tem intenções "boas" ou segue regras morais, mas o resultado final de suas ações é um saldo de mortes ou sofrimento negativo.

Vilão: Saldo de vidas negativo , intenções más, métodos ruins

Herói: Saldo de vidas positivo , intenções boas, métodos bons

Como classificamos personagens fictícios sob a luz das filosofias éticas?


Tanto na ficção quanto na vida real, não há uma divisão bem definida entre bons e maus. Entre o preto e o branco existem inúmeros tons de cinza. Portanto , os personagens fictícios se dividem não só em heróis e vilões, mas também em anti heróis e anti vilões. Mas onde está a linha que separa os heróis puros dos anti-heróis? E os anti-heróis dos anti-vilões? E os anti-vilões dos vilões puros?

Originalmente, um anti-herói era definido como um protagonista com falhas morais. Atualmente, usa-se o termo amplamente para personagens que não são protagonistas, mas fazem o bem por motivos egoístas ou por métodos maus.

Mas o que é "fazer o bem"?

Pode parecer algo óbvio para alguns, mas é um tema muito discutido em filosofia ética. Pela definição mais atual de anti-herói, uma descrição mais técnica de anti-herói seria : aquele cujas ações resultam em um saldo positivo em uma avaliação utilitarista. Em resumo, para se saber se o personagem é um anti-herói, calculamos quantas pessoas ( ou animais falantes) o personagem prejudicou e quantas eles beneficiou.

Regra de Ouro:Nesse blog, não fazemos distinção de valor entre figurantes, pessoas citadas, protagonistas. Todos têm o mesmo peso sob o ponto de vista do utilitarismo. Uma cena traumática de um protagonista morrendo tem o mesmo peso de um repórter na tv citando 1 pessoa morreu.



O marco zero dos anti-heróis

O Godzila, no filme Godzila de 2014, é um ótimo marco zero dos anti-heróis. Godzila é um lagarto gigante que só quer matar os mutos e ir dormir no fundo do mar.Ele não se importa com quantas pontes derruba e em quantas pessoas pisa para chegar aos mutos. Por acaso, os mutos também ameaçam a humanidade e são uma ameaça maior que o Godzila, pois são capazes de se reproduzir. Os humanos podem detonar bombas nucleares para destruir os ovos, mas não são capazes de matar o casal reprodutor. O Godzila é a melhor alternativa disponível nessa situação. O saldo utilitário das ações do Godzila é positivo, apesar da intenção nula de salvar a humanidade.
O dilema ético tradicional do utilitarismo é o dilema do bonde. Nesse dilema, a pessoa tem que escolher desviar ou não um bonde desgovernado de um trilho com 5 pessoas para um trilho com apenas 1 pessoa. O Godzila não é uma pessoa que puxa a alavanca do bonde, mas um outro bonde que bate no primeiro e por acaso mata menos de 5 pessoas.


Anti-heróis x Heróis puros

Para separarmos os anti heróis dos heróis puros, precisamos analisar as características deontológicas do personagem. A deontologia avalia a intenção do personagem, e os atos em si , independente das consequências. Como o Godzila também mata muitas pessoas inocentes e só é benéfico para a sociedade por tem um inimigo comum, ele é um anti-herói sem nenhuma característica deontológica.

Utilitarismo x Deontologia

Na ficção e na filosofia moral, costuma ser vista como "rival" do utilitarismo, pois a situação em questão costuma ser incomum. Na vida real, atos condenáveis pela deontologia também costumam ser condenáveis pelo utilitarismo. Vilões e anti-vilões têm um saldo negativo em vidas e bem estar, ou seja , causam mais mortes e sofrimento do que salvam vidas e promovem bem estar. Mas os anti-vilões têm características deontológicas positivas, como intenção de fazer o bem para um grupo específico. O vilão puro é totalmente condenável tanto pela deontologia quanto pelo utilitarismo.

Resumo:

Utilitarismo: O foco é o resultado final. A escolha certa é a que salva o maior número de vidas.
Deontologia: O foco é a regra. Matar ou mentir é errado sempre, não importa o benefício final.
Herói: Atinge saldo utilitário positivo respeitando regras deontológicas. (O ideal).
Anti-Herói: Atinge saldo utilitário positivo violando regras deontológicas,mas não há opção melhor na trama. (A eficiência necessária).
Anti-Vilão: Possui intenções ou regras deontológicas "boas", mas seu saldo utilitário final é negativo. (O erro perigoso).
Vilão: Intenção egoísta e saldo utilitário negativo. (O caos absoluto).

Leia antes: Critérios do Tribunal

Abigail, a vampira bailarina.