DONZELA(FILME DA NETFLIX)


Uma boa família real serve a seu povo. Apesar de no imaginário popular ser uma princesa significar viver no luxo, na verdade, ser parte da realeza significa nascer para servir milhares, talvez milhões de patrões. Eles não têm liberdade para decidir fazer outra coisa nem para decidirem casar com quem quiserem.

O PESO DA COROA

O Lord Bayford leva seu dever como rei muito a sério. Tão a sério que aceita arriscar enormemente a vida de sua filha, Elodie, em troca de dinheiro para salvar o povo da miséria e da fome. A reação inicial do público é de choque. Para a maioria das pessoas um pai entregar a filha para ser queimada e morta por uma dragão é injustificável. Entretanto, essas pessoas não são reis nem rainhas. Elas não são responsáveis por um reino inteiro. Deixar milhares de crianças plebeias morrerem de fome para manter sua própria filha segura seria um ato egoísta. Do ponto de vista do utilitarismo, se não havia outra maneira de salvar o povo da fome, aceitar o difícil acordo com o reino de Áurea foi a atitude mais correta.

O POVO INVISÍVEL

Os plebeus do reino de Inodora são apenas citados e talvez representados por uns poucos figurantes. A princesa Elodie é a protagonista. Isso faz com que o público ache que rei deveria ignorar os desconhecidos, mas nunca entregar a própria filha para o sacrifício. Nós não vemos o Lord Bayford analisando outras possibilidades para salvar o reino, mas se houvesse outra saída, ele certamente usaria. Ele usa parte do dinheiro para pagar mercenários para enfrentar a dragão e salvar a filha. Ou seja, ele tentou salvar todo mundo, mas infelizmente, tanto ele quanto os mercenários são mortos pela dragão.

A DRAGÃO

Elodie enfrenta a dragão(em uma cena com uso exagerado de protagonismo), e tem a oportunidade de matá-la, mas não mata. Ela já havia descoberto que a dragão pensava que ela era descendente do antigo rei de Áurea, que tinha matado seus filhotes. O príncipe deÁurea tinha feito um pacto de sangue com Elodie antes de jogá-la no covil da dragão, e a dragão a perseguia por causa do cheiro do sangue dele, um verdadeiro descendente do rei que matou os filhotes.

A VINGANÇA

Ao descobrir a verdade, a dragão queima toda a família real de Áurea, e Elodie volta como rainha de seu reino, com os recursos para salvar os plebeus e a dragão como aliada. Isso significa que as ações do rei Bayford tiveram saldo utilitário positivo, fazendo dele um anti-herói. A dragão, apesar de se tornar aliada de Elodie no final, matou muitas outras princesas por vingança por algo que o suposto ancestral delas tinha feito. Ela demonstra alguma lealdade a Elodie, por isso é anti-vilã , e não vilã pura.

A RAINHA ISABELLE

A rainha Isabelle está menos próxima de ser vilã pura do que a dragão. Isabelle age para proteger a si mesma e a sua família. Se não fizesse o que fez, ela e toda a sua família morreriam. Se a dragão não fizesse o que fez, ela poderia viver normalmente, apenas não se vingaria. Ironicamente, Isabelle faz exatamente o que muitos telespectadores dizem que o pai de Elodie, Lord Bayford, deveria fazer: sacrificar as filhas dos outros para manter a sua família segura. A única diferença é que os sacrifícios de Isabelle são em uma escala muito menor do que um reino inteiro. Afinal são umas 12 princesas, não milhares de plebeus. O príncipe Henry é um anti-vilão mais "anti" do que a mãe dele por se recusar a jogar a irmã mais nova de Elodie no covil da dragão por ser uma criança.

Em termos morais, pelo ponto de vista da deontologia, Isabelle está próxima de Simba, apesar de ele ser visto como herói e ela como vilã!

O gráfico abaixo ilustra o posicionamento ético e moral dos principais personagens analisados nesse post , bem como de alguns personagens analisados em posts anteriores!

📊 Bússola Moral: O Tribunal Utilitarista

Posicionamento dos personagens baseados no Resultado (Y) e no Método (X).

VILÕES PUROS
HERÓIS PUROS
⬆ UTILITARISMO (+)
(Melhor Resultado/Alcance)
⬇ UTILITARISMO (-)
(Dano/Sofrimento)
DEONTOLOGIA (+) →
(Ética do Método)
KIRA
SHERAZADE
Elodie
Bayford
Simba
Henry
Isabelle
Dragão
Shahryar

⚖️ Utilitarismo (Y): Mede o saldo de bem-estar. O Kira atinge o topo pelo alcance global, enquanto o Shahryar inicial ocupa o fundo pelo dano direto.

📜 Deontologia (X): Mede a integridade do método. Heróis Puros nunca traem seus deveres. Vilões Puros agem sem qualquer código moral (colados ao eixo vertical).

⚖️ Explore o Tribunal:

O Teto do Utilitarismo: Entenda por que a matemática prova que o Kira é um herói utilitário, apesar de seus métodos: Ver análise do Death Note →

A Heroína Pura: Veja como Sherazade atingiu o saldo positivo máximo sem violar um único princípio ético: Ver análise de As Mil e Uma Noites →

Egoísmo de Castal: Por que o sistema de governo de Simba é comparável ao da Rainha Isabelle? Ver análise do Rei Leão →

2 comentários:

  1. Gostei das análises. Acho um tanto difícil um rei sacrificar sua filha em prol do povo, em troca de dinheiro para mantê-los. Mais fácil seria casá-la com um príncipe de outro reino. Quanto à dragão, entendo seus motivos para matar quem caía em sua caverna, pois sentia o cheiro do sangue do descendente do rei que matou seus filhotes, afinal, é um animal com medo de que também seja morta.

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    1. Bem, o reino de áurea provavelmente pagava muito mais pelo sacrifício. E não deveria haver muitos reinos querendo casar seus príncipes com a princisa de um reino falhido. A dragão não achava que as princesas eram ameaças, ela exigia sacrifício especificamente de tres descendentes do rei que matou os filhotes. Era tudo por vingança.

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Leia antes: Critérios do Tribunal

Megamente: Os alienígenas anti-vilões