Todas as suas vítimas comprovadas são criminosas, porém trabalha para o pai, que é um grande chefe do crime. Na mansão onde a maior parte do filme se passa há uma piscina cheia de cadáveres, e não se sabe se aqueles corpos eram de criminosos ou não. Ela se diverte aterrorizando suas vítimas, o que é ruim tanto do ponto de vista da deontologia quanto do ponto de vista do utilitarismo. Após se aliar a Zoey para matar Frank, demonstra ter certos valores deontológicos, poupa a vida de Zoey e pede ao pai que a deixe ir embora, mesmo ela sendo uma testemunha do esquema criminoso deles.
Abigail é uma anti-vilã com bem menos deontologia do que Sasha, vampira do post anterior também classificada como anti-vilã. Sasha tenta o máximo possível fazer com que suas vítimas fiquem confortáveis antes de morrer. Abigail tenta aterrorizá-las o máximo possível. Seus alvos são criminosos não porque ela quer reduzir a criminalidade em geral, mas porque aqueles criminosos prejudicaram o pai dela de alguma forma.
Eles cooperam entre si durante o sequestro e depois que percebem que Abigail é uma ameaça, mas qualquer um que tenha um mínimo de inteligência se une contra um inimigo comum. Não é preciso ter valores deontológicos para isso. Os outros sequestradores também são hostis com Abigail, mesmo quando pensam que ela é apenas uma menina. Para a deontologia, a intensão pode importar mais do que o resultado final. Para todas as vertentes do utilitarismo, eles têm saldo utilitário negativo.
Kristof Lazaar
Concorda em poupar Zoey após Abigail pedir, mesmo ela sendo uma testemunha do esquema criminoso deles. Mas ainda é um chefe criminoso com saldo utilitário massivamente negativo.
Lambert
Transformado em vampiro por Abigail, participa do esquema para sequestra-la. Transforma Frank em vampiro para derrubar Lazaar e Abigail para controlar o império criminoso deles. Mas é morto por Frank logo em seguida. Vilão puro.
📊 VEREDITO: ABIGAIL
Deontologia: Baixa. Diverte-se com o terror alheio, mas demonstra gratidão ao poupar Zoey. Saldo Utilitário: Massivamente Negativo (Piscina de cadáveres e proteção ao império do crime). Classificação:ANTI-VILÃ (Menos ética que Sasha, pois prioriza o sadismo sobre o conforto das vítimas).
📊 VEREDITO: SEQUESTRADORES
Deontologia: Nula. Cooperam apenas por medo e foram hostis com quem julgavam ser uma criança. Saldo Utilitário: Negativo Absoluto (Causaram terror por ganância pura). Classificação:VILÕES PUROS (Sem agência moral, apenas instinto de sobrevivência).
📊 VEREDITO: ZOEY
Deontologia: Comprometida. Embora tente proteger a menina depois, aceitou participar do sequestro de uma criança, o que é uma falha moral grave. Saldo Utilitário: Negativo. O erro de negligência no passado somado à participação no crime atual mantém seu saldo no vermelho. Classificação:ANTI-VILÃ EM DÉBITO (Possui lampejos de ética, mas é cúmplice de um crime hediondo).
📊 VEREDITO: KRISTOFF LAZAAR
Deontologia: Baixa, mas presente. Sua disposição em poupar Zoey por um pedido da filha revela que ele ainda valoriza laços humanos acima da conveniência criminosa. Saldo Utilitário: Massivamente Negativo. É o arquiteto de um império de dor, mortes e crimes sistêmicos. Classificação:ANTI-VILÃO (Um monstro com um código de honra familiar que o impede de ser um vilão puramente niilista).
📚 Glossário do Tribunal
Deontologia: É a ética do dever e da intenção. Uma ação é julgada como certa ou errada com base em princípios morais fixos (como "não sequestrar crianças"), independentemente das consequências finais. Se a intenção é boa e segue a regra, a ação tem valor positivo.
Utilitarismo: É a ética dos resultados e do saldo. O que importa é a soma final de bem-estar versus sofrimento. Se uma ação resulta em mais dor do que prazer para o maior número de pessoas, o saldo é negativo, não importa quão "boa" tenha sido a intenção inicial.
Historicamente, vampiros são mortos vivos temidos que se alimentam de sangue humano. Recentemente, entretanto, há a tendência de se retratar vampiros como pessoas com necessidades peculiares, e não somente como monstros sedentos por sangue.
CREPÚSCULO
Quando falamos de vampiros “bonzinhos”, grande parte das pessoas logo se lembra de Edward Cullen da saga Crepúsculo. Edward se apaixona por uma humana e luta para protege-la de outros vampiros. Apesar de frequentemente dizer que ele é um monstro, e tentar convencer Bella a não querer ser transformada em vampira, o universo de Crepúsculo é um dos melhores para ser um vampiro amigo dos humanos. Na verdade, transformar uma pessoa em vampiro nesse universo significa adicionar séculos de vida à pessoa.
MORTOS?
Não importa que os chamem de mortos vivos, nem que o coração deles não bata, eles podem ter vidas praticamente normais. Eles não queimam no sol, apenas brilham, não envelhecem, não ficam doentes. Se alimentam de sangue, mas esse sangue não precisa ser humano. E com exceção dos lobisomens, animais não são pessoas nesse universo.
CAÇADORES OBRIGATÓRIOS
Matar animais comuns não é um ato neutro do ponto de vista do utilitarismo, mas a maioria dos utilitaristas concorda que é bem menos negativo do que matar pessoas. E se matar um cervo traz um saldo negativo, então animais carnívoros têm saldo utilitário obrigatoriamente negativo. Assim, se uma família de vampiros mata uma família de pumas e passa a caçar a mesma quantidade de cervos, o saldo utilitário alimentar deles fica próximo do neutro e eles apenas substituem os pumas no topo da cadeia alimentar. O único bom motivo para não transformar pessoas em vampiros é a necessidade de manter a população de animais sustentável.
JUSTICEIRO
Edward também matou criminosos quando era recém transformado. Ele também tem o poder de ler mentes, então sabia quando um criminoso estava pensando em cometer um crime. Era a essas pessoas que ele estava se referindo quando disse para a Bella que já matou pessoas. A própria Bella disse que Edward provavelmente salvou mais pessoas do que matou quando ele diz isso a ela. Entretanto, o saldo utilitário do Edward é mais local. Kira impedia crimes majoritariamente por dissuasão, Edward impedia crimes pela eliminação física do criminoso.
Entretanto, nem todo vampiro tem a sorte de Edward. Alerta de spoiler!
O filme completo está disponível na Netflix!
No filme “Vampira humanista procura voluntário suicida ” a vampira Sasha tem empatia pelos humanos, mas precisa obrigatoriamente consumir sangue humano. Se não matar o humano, ele se transforma em vampiro, por isso os vampiros têm que matar suas vítimas. Também há uma regra que obriga o vampiro a matar qualquer pessoa que saiba que ele é vampiro.
Se as regras do universo de Sasha se aplicassem ao Edward, é provável que ele continuasse matando criminosos. Ou talvez morresse de fome se achando um monstro. Mas acho que a história de Crepúsculo seria mais interessante se ele ainda matasse criminosos quando conheceu Bella.
HIPÓCRITA?
Sasha consome bolsas de sangue, mas essas bolsas de sangue são de humanos caçados pela sua família. Se a familia de Sasha precisava alimentá-la, eles também tinham que caçar com mais frequência por causa dela. Então para Sasha o problema não era a matança de humanos em si, mas sim os sentimentos que ver humanos apavorados e morrendo na frente dela geram nela. Então ela não é humanista, mas sim egoísta.
Um dia os pais dela a mandam morar com uma prima para aprender a caçar pessoas. Ela encontra um adolescente prestes a cometer suicídio, e inicialmente pensa em caçá-lo, mas depois acaba se apaixonando pelo rapaz. E o transforma em vampiro.
CONSUMIDORA VORAZ
O universo desse filme é um dos piores para ser um vampiro. Sasha consome bolsas de sangue com frequência, então seus pais precisam caçar com frequência. O saldo utilitário de se criar um novo vampiro nesse universo é extremamente negativo. Se Sasha consome 3 bolsas de sangue por dia e cada uma tem 500ml, então todo o sangue de um humano que viveria mais 70 anos adicionaria apenas cerca de 4 dias à vida de Sasha.
A solução sugerida no título do filme é extremamente problemática, pois pessoas que pensam em suicídio geralmente só pensam nisso porque estão deprimidas e não veem solução para seus problemas. Essas pessoas precisam de ajuda para encontrar outra solução, não para morrer. Elas não estão em plenas faculdades mentais.
MULTIPLICADORA DE PREDADORES
Sasha foi responsável pela criação de 2 vampiros no filme. Um homem que a prima dela tenta caçar e ela dispara o alarme do carro, obrigando a prima a fugir, e Paul, por quem se apaixona e transforma intencionalmente em vampiro. Os pais dela até comentam que eles não podem adotar um novo parente toda vez que Sasha resolver fazer um lanche. O saldo utilitário de Sasha acaba sendo pior do que o do resto da família dela. No fim do filme, Sasha e Paul aparecem no hospital e drenam o sangue de uma mulher doente que já estava pronta para morrer.
O SALDO UTILITÁRIO
Se os dois conseguissem se alimentar apenas de pessoas doentes e sofrendo que quisessem uma eutanásia, o saldo utilitário deles poderia ser positivo no utilitarismo de preferência (se a vítima estiver em plenas faculdades mentais, sofrendo muito, realmente preferir morrer, e não houver outras opções para aliviar esse sofrimento), e no utilitarismo negativo (que avalia a quantidade de sofrimento evitado), e talvez no utilitarismo ponderado por anos de vida. Mas nesse caso teria que ser um utilitarismo ponderado por dias de vida. Para ter saldo positivo nessa vertente, eles teriam que se alimentar somente de pessoas que tivessem menos de 4 dias de vida.
Portanto, a vertente do utilitarismo em que seria mais fácil pa Sasha e Paul terem um saldo utilitário positivo é o utilitarismo negativo. Entretanto, essa é uma das vertentes mais controversas do utilitarismo. Thanos usa uma ideia distorcida dessa vertente para reduzir o sofrimento do universo. É também a única vertente que favorece Deadpool contra Francis.
Mas eutanásia é uma escolha rara. O Canadá, país desse filme, tem o maior número de casos de eutanásia legalizada do mundo, mas são 36 casos por dia espalhados pelo país inteiro. O Canadá tem cerca de 800 hospitais. O acesso dos vampiros a doentes que querem eutanásia depende da mãe do Paul, que trabalha em um hospital.
ESTATISTICAMENTE IMPOSSÍVEL
A probabilidade de que todos os dias um desses pacientes que realmente querem eutanásia apareça exatamente no hospital onde a mãe de Paul trabalha é extremamnte pequena. Estatisticamente, aparece um paciente que deseja eutanásia em cada hospital a cada 22 dias! Então o mais provável é que eles se alimentem principalmente de pessoas deprimidas. Ou então a mãe de Paul poderia simplesmente assumir que alguns pacientes muito doentes preferem morrer e avisar ao filho e à namoradinha dele que está na hora do lanche.
UTILITARISMO DE REGRAS
Para o utilitarismo de regras, o saldo utilitário deles é negativo, pois se as pessoas suspeitarem que vampiros estão caçando pacientes no hospital, vão ter medo de levar seus parentes para lá. A lógica é a mesma que proíbe a coleta de órgãos de pacientes mortos sem autorização da família: evitar que alguém mate um paciente para favorecer outra pessoa.
A legalidade da eutanásia no Canadá na vida real é criticada por muitos, mas existe um processo rigoroso para evitar que alguém que tenha interesse na morte dos pacientes se aproveite dessa lei. Os pacientes têm que ser avaliados independentemente por médicos que não tenham interesse na morte do paciente, e têm que estar em plenas capacidades mentais. A mãe de Paul tem interesse em alimentar o filho, então ela estaria imediatamente desqualificada para decidir quem realmente quer morrer.
Sasha também ataca e mata um cara que estava batendo no Paul. Não se pode afirmar com certeza que o rapaz mataria Paul se Sasha não o atacasse. Mas, ironicamente, se matasse Paul, o agressor teria saldo utilitário positivo acidentalmente, pois Sasha não o transformaria em vampiro. E nesse universo, é extremamente difícil que vampiros tenham saldo utilitário positivo.
LOBO EM PELE DE CORDEIRO
Quando estava tentando convencer Sasha a transformar ele, Paul diz que tem muitos grupos de apoio para suicidas por aí, e ele poderia inclusive caçar para ela! Isso é eticamente monstruoso! Um grupo de apoio para suicidas tem a função de apoiar pessoas que pensam em suicídio para que elas NÃO cometam suicídio e encontrem outras formas de resolver seus problemas. Ele diz que seria um “vampiro humanista criativo”, mas isso não é ser um vampiro humanista, mas sim um vampiro que se aproveita da fragilidade de pessoas com agência moral comprometida.
COMPARAÇÃO COM OUTROS PERSONAGENS
Eles são claramente piores do que a médica de Law and order, mas melhores que os leões de o Rei Leão, que literalmente podem comer qualquer um que não seja um leão nem amigo deles. Nala, por exemplo, tentou comer o Pumba, um javali jovem e saudável que claramente não queria morrer. Lembre-se que em “O Rei Leão”, os animais mamíferos são pessoas. E assim como Kiara, a empatia de Sasha se limita a quem está na frente dela. Ambas aumentam o número de predadores, o que é péssimo para as presas.
EDWARD CULLEN:HERÓI (GESTOR DE SALDO).
Veredito: Ao substituir predadores naturais e usar telepatia para eliminar ameaças reais, ele gera um superávit de existência consciente. No universo de Crepúsculo, ele é um acumulador de vida eficiente.
SASHA E PAUL:ANTI-VILÕES (PARASITAS ÉTICOS).
Veredito: A predação seletiva de vulneráveis e a impossibilidade estatística da eutanásia hospitalar tornam o "humanismo" do casal uma falácia. Eles expandem a predação humana para satisfazer um egoísmo afetivo.
Deadpool é considerado um anti-herói por muitos. Mas aqui nesse tribunal, para ser considerado um anti-herói é preciso ter um saldo utilitário positivo. Será que Deadpool preenche esse critério no primeiro filme?
Antes de qualquer análise mais profunda, já é possível concluir que Deadpool não é um herói puro. Ele mata dezenas de pessoas durante o filme, mesmo quando Colossus tenta impedi-lo. E não importa quantas piadas ele faça, cada morte pesa no saldo utilitário dele. Mas ele também não é um vilão puro, pois tem o desejo de salvar Vanessa de Francis na luta final. Portanto, anti-herói e anti-vilão são as únicas categorias possíveis para o protagonista.
MOTIVAÇÕES
Deadpool mata dezenas de pessoas para encontrar Francis. Mas ao menos inicialmente, Francis não estava ameaçando a vida de Vanessa. A motivação de Deadpool é encontrar Francis para que ele o deixe bonito novamente para Vanessa. Basicamente, ele está matando pessoas por uma cirurgia plástica. Francis já o havia curado do câncer. Sim, Francis causou dor a ele desnecessariamente durante o procedimento, mas ainda assim, o curou de um câncer terminal.
FRANCIS
Francis com certeza não é um herói puro. Ele recruta pessoas com doenças terminais para transformá-las em mutantes e vende-las como soldados. A maior parte dessas pessoas morre, apenas uma minoria (como Deadpool) sobrevive. E como ocorre com Deadpool, Francis causa dor desnecessariamente aos pacientes. Francis e Deadpool estão conectados de uma forma que o saldo utilitário de um depende do saldo utilitário do outro. O problema é que assim como ocorre no post anterior, de Law and Order diferentes vertentes do utilitarismo entram em conflito a respeito do saldo utilitário de Francis.
UTILITARISMO CLÁSSICO
O utilitarismo clássico analisaria a quantidade de pessoas salvas e a quantidade de pessoas que tiveram o experimento de Francis como causa de morte mais imediata. A quantidade de pessoas que morrem no experimento de Francis é maior do que o número de pessoas curadas e transformadas em mutantes. Portanto, Francis tem saldo utilitário negativo nessa vertente.
UTILITARISMO PONDERADO PELOS ANOS DE VIDA
Mas o utilitarismo ponderado pelos anos de vida em potencial consideraria que o experimento de Francis tem saldo utilitário positivo, pois os anos de vida ganhos pelos sobreviventes pesam mais do que os meses ou semanas perdidos pelos doentes terminais que morreram. Na vida real, pacientes terminais de câncer frequentemente aceitam participar de tratamentos experimentais dolorosos para terem a chance de cura, mesmo que esses tratamentos possam mata-las mais cedo do que a própria doença. Já vimos essa vertente no post anterior!
O utilitarismo de preferências avalia que as opções daqueles pacientes terminais eram muito ruins, mas participar do experimento de Francis era a opção menos ruim. A possibilidade de cura fazia com que muitos pacientes preferissem o experimento, por mais doloroso que fosse e apesar da chance de serem vendidos como soldados. Escravos vivos podem fugir, mas mortos “livres” não podem ressuscitar. O saldo utilitário de Francis é positivo nessa vertente, pois a oferta dele era “melhor” do que simplesmente esperar para morrer de câncer lentamente.
UTILITARISMO NEGATIVO
Para essa vertente do utilitarismo, evitar a dor é mais importante do que prolongar a vida. Portanto, o saldo utilitário de Francis é negativo para essa vertente, pois ele causa dor extrema em suas cobaias humanas.
O QUE ISSO SIGNIFICA PARA DEADPOOL?
Se Francis, isoladamente, tem saldo utilitário positivo em algumas vertentes do utilitarismo, e o objetivo de Deadpool no primeiro filme é encontrar Francis para que ele conserte seu rosto e depois se vingar dele, Deadpool tem saldo utilitário negativo nessas mesmas vertentes. Mesmo nas vertentes em que Francis tem saldo utilitário negativo, esse saldo não é negativo o suficiente para que Deadpool tenha saldo positivo. A quantidade de pessoas que vemos Deadpool matando é superior à quantidade de pessoas que vemos Francis fazendo de cobaia.
Ironicamente, quem puxa o saldo utilitário do Francis para baixo no primeiro filme é o próprio Deadpool. Sem o experimento de Francis, Deadpool simplesmente morreria de câncer e todo mundo que Deadpool transforma em espetinho de carne estaria vivo. Classicamente, o saldo utilitário da criatura de um cientista entra na conta do criador, como já vimos no post “O Arquétipo do Cientista Bem-Intencionado e Descuidado”
Mas Francis não é exatamente bem-intencionado. A única coisa que faz com que Francis seja um anti-vilão, e não vilão puro é o fato de ele pelo menos tentar ter um saldo utilitário positivo e usar doentes terminais que poderiam se beneficiar do experimento. Assim, Francis está em uma área de tríplice fronteira entre o anti-herói, o anti-vilão e o vilão puro. Nem mesmo Light Yagami( Kira), que provoca muitas discussões a respeito de sua classificação como anti-herói, anti-vilão e vilão, é tão fronteiriço assim.
No primeiro filme, Deadpool também é anti-vilão, pois tem saldo utilitário negativo em todas as vertentes, apesar de ter algumas características deontológicas positivas, como o desejo de salvar sua namorada, Vanessa. Mas se o saldo utilitário dele melhorar nas continuações do filme, ele não só pode migrar para a categoria de anti-herói, como também arrasta Francis para a categoria de anti-herói, mesmo que ele o tenha matado no primeiro filme.
UM HÉROI PURO?
O mutante metálico Colossus é o verdadeiro herói do primeiro filme. Ele é contra a matança de Deadpool, ajuda Deadpool a salvar Vanessa na batalha final, e até tenta convencer Deadpool a poupar a vida de Francis. Afinal, Francis ainda era um cientista que tinha curado um câncer! O tratamento era doloroso, mas infelizmente, todo tratamento de câncer é doloroso. Ele poderia ser preso e convencido a passar seus conhecimentos para outros, por exemplo. Mas Deadpool mata Francis por pura vingança depois que ele já tinha sido derrotado.
Muitas pessoas pensam que o personagem mais politicamente incorreto é o que mais é apoiado pelo utilitarismo, mas isso não é verdade. Nesse filme, o personagem “certinho chato” é também o com saldo utilitário mais positivo. Ele só ajuda a salvar uma pessoa, mas seus “concorrentes” têm saldo utilitário negativo.
⚖️ VEREDITO: Colosso (Piotr Rasputin)
DEONTOLOGIA: Nota máxima (100/100). Demonstra autolimitação absoluta ao recusar o uso de força letal, mesmo possuindo poder físico superior. Tenta impedir as matanças de Deadpool.
UTILITARISMO:POSITIVO. Ajuda a salvar Vanessa. Ao tentar poupar Francis, visava preservar o conhecimento da cura do câncer para a humanidade.
CLASSIFICAÇÃO: HERÓI PURO
⚖️ VEREDITO: Francis Freeman (Ajax)
DEONTOLOGIA: Quase nula (01/100). Quebra quase todas as regras: tortura, sequestro e total ausência de empatia. Sua única "regra" é o critério de cobaias terminais, possivelmente por conveniência logística.
UTILITARISMO:Divide vertentes se descontarmos as ações de Deadpool. Positivo em Anos de Vida (gera séculos para quem tinha meses); Negativo em Utilitarismo Negativo (geração de dor extrema);Positivo no utilitarismo de preferências(doentes terminais preferem tentar o tratamento experimental e doloroso);e Negativo por Causalidade (responsável pela criação do agente de caos Deadpool).
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (CIENTISTA BÉLICO)
⚖️ VEREDITO: Wade Wilson (Deadpool)
DEONTOLOGIA: Baixa. Age por vingança e retribuição pessoal, ignorando leis e códigos morais. Sua "bondade" é seletiva e restrita ao seu círculo afetivo imediato.
UTILITARISMO:MASSIVAMENTE NEGATIVO. Consome dezenas de vidas saudáveis e destrói infraestrutura médica para satisfazer um egoísmo estético. Ao matar Francis, ele "apaga" a única fonte da cura que o salvou, privando outros pacientes terminais da mesma chance.
A questão da doação de órgãos põe em conflito diversas vertentes do utilitarismo, mas poucas histórias evidenciam tão bem os perigos de se seguir ordens ao pé-da-letra como esse episódio de Law and Order. Nele, uma médica retira o coração de uma garota morta sem autorização dos pais para transplantar para um menino com doença cardíaca grave.
Os pais da garota descobrem e denunciam médica por roubo de órgãos. Os policiais impedem o coração já retirado de ser transplantado para o garoto, a médica é processada, e o garoto morre no fim do episódio. O saldo utilitário das ações dos policiais é claramente negativo: duas crianças mortas em vez de uma.
O utilitarismo clássico apoiaria que a doação de órgãos de cadáveres fosse compulsória. Entretanto, alguns utilitaristas de regras argumentam que se a doação de órgãos for compulsória poderia haver casos de assassinato para retirada de órgãos. O utilitarismo balanceado por anos de vida potenciais considera que pacientes transplantados costumam ter expectativa de vida menor do que pacientes saudáveis, podem morrer durante a cirurgia de transplante, e têm que tomar imunossupressores pelo resto da vida.
Para essas duas últimas vertentes do utilitarismo, os anos de vida salvos dos transplantados podem não compensar os potenciais anos de vida perdidos de pessoas saudáveis que poderiam ser assassinadas para retirada de órgãos. Entretanto, no momento em que os policiais impediram o coração de ser transplantado para o menino, o tipo de situação que o utilitarismo de regras e o utilitarismo balanceado por anos de vida potenciais visam coibir já teria sido consumada: a garota já estava morta, e o coração dela já havia sido retirado.
A atitude mais utilitária que os policiais poderiam ter seria permitir o transplante e deter a médica. Assim, caso a médica tivesse deixado a garota morrer para retirar o coração, por exemplo, ela estaria sendo punida, mas a vida do garoto receptor seria salva. Impedir o transplante naquela situação foi tirar de uma criança inocente a chance de viver.
No episódio em questão, não havia indícios de que a médica tenha propositalmente deixado crianças morrerem para retirar os órgãos. Mas quase certamente os policiais roubaram anos de vida do menino que seria o receptor do coração. Mais de 90% das crianças receptoras sobrevivem à cirurgia de transplante cardíaco, e a sobrevida média para crianças com mais de 10 anos é de cerca de 13 anos. Pode parecer pouco para uma criança, mas se o menino em questão fosse seu filho? Como você se sentiria nos próximos 13 anos sabendo que ele poderia estar vivo, mas não está?
Links para os artigos de referência usados neste texto:
https://jornal.usp.br/ciencias/transplantados-na-infancia-que-recebem-coracao-antes-de-um-ano-de-idade-vivem-mais/
⚖️ VEREDITO: Os Policiais e o Sistema Judiciário
DEONTOLOGIA (Conduta): Seguiram a regra legal e processual de forma dogmática. Priorizaram a "Cadeia de Custódia" e a integridade da prova criminal em detrimento de uma vida humana em estado de emergência.
UTILITARISMO (Saldo):NEGATIVO. Ao impedirem o transplante de um órgão já extraído, garantiram a morte de uma criança inocente. O "respeito à regra" não trouxe a pessoa falecida de volta, apenas somou um segundo óbito evitável ao saldo total.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÕES (PUNITIVISTAS)
⚖️ VEREDITO: A Médica Responsável
DEONTOLOGIA (Conduta): Falha grave ao violar o protocolo médico legal e o consentimento familiar. Cometeu um ato tecnicamente criminoso sob a ótica da legislação vigente.
UTILITARISMO (Saldo):POSITIVO (TENTADO). Agiu para transformar uma perda irreversível em uma vida salva. No cálculo de existência, seu ato buscava evitar o saldo negativo de duas mortes, priorizando a sobrevivência do paciente receptor.
A franquia de entretenimento de mídia mais rentável de todos os tempos está
fazendo 30 anosA franquia de entretenimento de mídia mais rentável de todos os tempos está fazendo 30 anos! E vamos celebrar essa data com uma análise dos antagonistas mais icônicos que enfrentamos durante essa longa jornada!
Ao contrário das outras franquias aqui analisadas, em que comparamos pilhas de corpos causadas por anti-heróis e vilões, mortes são muito raras em pokemon. Os heróis dessa franquia são mais puros do que praticamente todos os super-heróis da Marvel e da DC. Os vilões são geralmente perdoados e reintegrados à sociedade, mesmo que tentem cometer crimes hediondos e quase destruam o mundo. O poder da amizade geralmente vence.
As batalhas pokemon são frequentemente comparadas a rinhas. Mas em Pokemon Legends: Arceus descobrimos que as batalhas pokemon começaram como uma forma dos guarda-costas da vila de Jubilife treinarem seus pokemon para proteger as vilas e a eles mesmos quando se aventurassem na natureza. Kamado menciona que sua cidade natal foi incendiada por pokemon enfurecidos, então a captura e treinamento de pokemon claramente tem um saldo utilitário positivo. A deontologia também não é contra a domesticação de animais para proteção, como cães de guarda, por exemplo.
EQUIPE ROCKET
O trio principal da equipe rocket no anime é frequentemente responsável pela evolução dos pokemon dos protagonistas e nunca consegue roubar os pokemon que eles querem roubar. É difícil dizer que eles têm saldo utilitário negativo. Eles até ajudam os heróis em algumas situações, notavelmente no segundo filme, em que ajudam Ash a salvar o mundo. São anti-heróis que se dizem vilões.
Nos jogos, eles costumam ser responsáveis por roubo de pokemon e invasão de propriedade, mas até mesmo Giovanni recompensa o jogador com a insígnia da terra após a batalha de ginásio de Viridian, e em Legends:ZA, Corbeau diz que Giovanni o ajudou muito na juventude, portanto ele tem um senso de honra e é anti-vilão.
Em Ultra Sun/ Ultra Moon, o Giovanni chefe da Equipe Rainbow Rocket conseguiu dominar o mundo em seu universo, e agora quer dominar o multiverso.
MEWTWO
Antagonista do icônico primeiro filme de pokemon no cinema, Mewtwo foi criado em laboratório para ser o pokemon mais forte do mundo. Logo que despertou, Mewtwo concluiu que os cientistas que o criaram não se importavam com ele e explodiu o laboratório. Entretanto, em um universo em que os membros da Equipe Rocket decolam de novo em todos os episódios, não se pode concluir que os cientistas morreram. Mais tarde, ele faz a mesma coisa com Giovanni e ele sobrevive.
Mewtwo sequestra uma enfermeira Joy, apaga sua memória e introduz memórias falsas. Também faz pokemon naturais e clones lutarem até a exaustão, mas não causa nenhuma morte permanente confirmada. Ash morre temporariamente, mas porque ele entra no meio dos golpes de dois pokemon poderosos. Todos os pokemon choram, até mesmo os que nem conheciam ele, mas seus amigos humanos não derramam nenhuma lágrima. No geral, o saldo utilitário de Mewtwo nesse filme é negativo, mas ele entende que as condições do nascimento de alguém não importam e leva seus clones para um lugar seguro, o que faz dele um anti-vilão.
EQUIPES AQUA E MAGMA
Essas equipes de Houen realmente acreditam que estão fazendo o bem para os pokemons que vivem na água e na terra respectivamente. Quando Archie e Maxie percebem que Kyogre/Groudon, respectivamente, irão causar inundações/secas generalizadas, eles se arrependem, a cabe ao jogador capturar os pokemon lendários e impedir mortes em larga escala. Apesar de nenhuma morte confirmada ser atribuída às duas equipes, o estresse que causaram na população de Houen é o bastante para que tenham saldo utilitário negativo e entrem na categoria de anti-vilões.
EQUIPE GALÁCTICA
Cyrus quer literalmente destruir o universo existente para criar um novo em que não haja emoções nem espírito humano, em que ele seja um deus. Cyrus confessa que está apenas usando sua equipe, e que nem eles terão lugar no novo mundo que ele quer criar. Caso tivesse sucesso, o saldo utilitário de Cyrus seria o pior possível, mas a simples perspectiva de que aquilo pudesse acontecer já faz com que seu saldo utilitário seja negativo. Sem características deontológicas positivas, Cyrus é um dos poucos vilões puros da franquia.
Nos jogos Ultra Sun/Ultra Moon, Cyrus diz que foi engolido por uma sombra no momento da vitória, e trazido para o universo dos jogos. Isso descreve o que aconteceu em pokemon Platinum, em que Giratina aparece como uma sombra e leva Cyrus para o mundo da distorção. Mas após ser derrotado, Cyrus volta para seu universo original para destruí-lo e criar um novo no lugar, fazendo desse Cyrus o personagem com o saldo utilitário mais negativo da franquia. Devo ressaltar que para o utilitarismo, são justamente as emoções que dão valor à vida. Um universo sem emoções não teria valor algum.
EQUIPE PlASMA
N foi criado por Ghetsis preso em um quarto, e foi apresentado somente a pokemon que foram maltratados por humanos. O incômodo que ele causa não é maior do que o que ativistas dos direitos dos animais causam na vida real, e os pokemon que ele usa contra o jogador em B/W têm felicidade no nível máximo em B/W2, então é seguro dizer que o saldo utilitário dele é positivo.
Ghetsis, por outro lado, é o verdadeiro chefe da Equipe Plasma e comete abuso infantil contra N, o usando para despertar Reshiram/Zekrom, e controlar a região de Unova. O discurso de libertação pokemon é só uma fachada para fazer com que apenas ele e talvez alguns membros fiéis da Equipe Plasma tenham pokemon para usá-los como armas contra quem desobedecê-los. Os abusos contra seus filhos adotivos N, Concordia e Anthea, bem como seu hydreigon, que tem a felicidade no nível mínimo, já são o suficiente para que seu saldo utilitário seja negativo. Ghetsis também não tem nenhuma característica deontológica positiva, o que o coloca na categoria de vilão puro.
O Ghetsis da Equipe Rainbow Rocket consegue seu objetivo e usa reshiram/zekrom contra o jogador. Não se sabe o que aconteceu com o N do universo desse Ghetsis, mas ele ataca fisicamente a Lillie e tenta fazê-la de refém!
EQUIPE FLARE
Lysandre já foi um filantropo, até decidir que o mundo tinha pessoas demais e decidir matar todo mundo exceto a Equipe Flare. Lysandre planejava também extinguir os pokemon para que as pessoas não os usassem como armas. Para isso, ele aciona a arma suprema.
Em Legends: ZA, é revelado que Zygarde salvou Lysandre do disparo da arma suprema, mas suas células se espalharam pelo mundo devido a isso. Lysandre ajuda a reunir as células de Zygarde, e manifesta arrependimento pelas suas ações em X/Y. Entretanto, as consequências do disparo da arma suprema ainda são sentidas em Lumiouse , mesmo 5 anos depois. A cidade passou por uma grande desvalorização imobiliária, a uma grande quantidade de pokemon foi atraída para a cidade. A máquina Ange foi ativada e a cidade quase foi destruída. Tudo que Lysandre faz em Legends: ZA é ajudar a concertar um problema que ele mesmo causou, o que não é o bastante para tornar seu saldo utilitário positivo. Portanto, ele entra na categoria de anti-vilão.
AZ
Apesar de acolher a Equipe MZ em seu hotel em Legends: ZA, AZ foi quem originalmente criou a arma suprema e a máquina Ange. Disparou a arma suprema há 3 mil anos atrás, matando centenas, talvez milhares de pessoas e pokemon. Sua ideia de mandar a floette para dentro da máquina Ange dá errado e a máquina se torna mais perigosa ainda. Assim como Lysandre, tudo o que ele faz apenas compensa parcialmente um problema que ele mesmo causou, tornando seu saldo utilitário negativo, e garantindo seu lugar na categoria de anti-vilão.
EQUIPE CAVEIRA
Vândalos que roubam pokemon de crianças, mas não querem matar ninguém e são amigos uns dos outros. Guzma, líder da equipe, inicialmente ajuda Lusamine em seus planos. Mas em US/UM ajuda o jogador a derrotar a equipe Rainbow Rocket. Como essa equipe inclui Cyrus e Lysandre, que têm saldo utilitário extremamente negativo, Guzma fica com saldo utilitário positivo, entrando na categoria dos anti-heróis.
Gladion se associa à equipe, rouba Type:Null do laboratório da mãe, mas tem a intenção de salvar Type:Null. Ajuda a salvar a irmâ, Lillie, quando ela é raptada por Lusamine com ajuda do resto da equipe Caveira.
LUSAMINE
Mãe de Gladion e Lillie, Lusamine se torna abusiva com eles e obcecada com as ultra beasts. Seu objetivo é abrir um ultra buracos de minhoca usando cosmog. Abre buracos de minhoca em toda Alola, causando uma invasão de ultra beasts na região. Diz proteger os pokemon, mas mantém alguns congelados em sua mansão, e maltrata Nebby e Type:Null.
ROSE
Empresário da região de Galar, Rose desperta eternatus para recriar o dia mais sombrio, o que leva inúmeros pokemon a dinamaximizarem sem controle. Ele pensa que isso é necessário para garantir que a região de Galar tenha energia mil anos no futuro. Embora seus motivos possam ser considerados nobres, para o utilitarismo, um benefício que só vai se concretizar mil anos no futuro, quando as pessoas e a maioria dos pokemon vivos hoje já terão morrido, não justifica o risco presente que a recriação do dia mais sombrio representa, colocando Rose na categoria de anti-vilão.
VOLO
Os planos de Volo são bem similares aos de Cyrus: ele quer destruir o mundo atual para criar um que julga melhor no lugar. Para isso, se une a giratina para criar a fenda no espaço-tempo. Isso dá origem aos pokemon alfas e à fúria dos pokemon nobres. Apesar de ajudar o protagonista diversas vezes durante a trama, tudo não passava de manipulação para que ele pudesse obter todos os plates , fazer Arceus aparecer, e subjuga-lo. Tem saldo utilitário amplamente negativo, e nenhuma virtude deontológica relevante, o que faz dele um vilão puro.
EQUIPE ESTRELA
Grupo de adolescentes que sofreram bullying na escola, decidiram revidar e ganharam má fama. A líder do grupo, Penny, comete pequenos crimes, como hackear o sistema da escola e fornecer LPs ao protagonista. Entretanto, ela faz isso por uma boa causa: dissolver a própria equipe e fazer seus membros voltarem à escola. Ajuda o protagonista a chegar até a máquina do tempo na cratera de Paldea e salvar a região. Penny é uma heroína mais “anti” em comparação à maioria dos outros heróis da franquia pokemon, mas ainda assim é mais pura do que a maioria dos heróis de outras franquias.
PROFESSORES SADA E TURO
Negligenciam Arven e são obcecados com a criação da máquina do tempo. São as únicas vítimas fatais conhecidas dos pokemon que eles mesmos trazem para o presente, mas a programação do androide que construíram e da própria máquina do tempo continuam a ser um risco para toda a região de Paldea. São exemplos do arquétipo do cientista bem-intencionado e descuidado, portanto, entram na categoria de anti-vilões.
>CORBEAU
O mais “anti” dos heróis de Lumiose em legends:ZA, Corbeau faz empréstimos com juros abusivos e depois força as pessoas a trabalharem pelo bem de Lumiose, mas ajuda a salvar a cidade duas vezes, tanto no fim da história principal quanto no fim da DLC.
⚖️ GALERIA DE JULGAMENTOS: 30 ANOS
N (Natural Harmonia):HERÓI (IDEALISTA).
Saldo: Positivo. Felicidade máxima com seus Pokémon e prevenção de guerra civil.
CYRUS (Rainbow Rocket):VILÃO PURO (NIILISTA).
Saldo: Infinito Negativo. Apagou as emoções e a vida de um universo inteiro.
GHETSIS:VILÃO PURO.
Saldo: Negativo. Abuso infantil, manipulação política e tentativa de homicídio direta.
LYSANDRE / AZ:ANTI-VILÕES.
Saldo: Negativo. Tentam consertar desastres que eles mesmos criaram (Arma Suprema).
⚖️ VEREDITO: Giovanni
DEONTOLOGIA (Conduta): Embora lidere uma organização criminosa, demonstra um senso de honra raro: respeita as regras da Liga (entrega a Insígnia da Terra) e possui histórico de lealdade, como o apoio a Corbeau.
UTILITARISMO (Saldo):NEGATIVO. O roubo sistemático gera insegurança social. Entretanto, ao manter o submundo sob um código de conduta, ele impede o caos absoluto que grupos niilistas causariam.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (ESTRATÉGICO)
⚖️ VEREDITO: Maxie e Archie
DEONTOLOGIA (Conduta): Idealistas que acreditam genuinamente no bem da natureza. Manifestam remorso imediato ao perceberem o erro de suas ações.
UTILITARISMO (Saldo):NEGATIVO. Quase causaram um colapso climático global (Inundação/Seca) por pura imprudência científica. O arrependimento não apaga o risco catastrófico gerado.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÕES (IDEALISTAS)
⚖️ VEREDITO: Lusamine
DEONTOLOGIA (Conduta): Falha grave ao abusar psicologicamente dos filhos e privar a liberdade de Pokémon. Age movida por uma obsessão estética egoísta.
UTILITARISMO (Saldo):NEGATIVO. A abertura dos Ultra Wormholes trouxe ameaças interdimensionais que colocaram Alola em risco de extinção, superando os benefícios de sua fundação filantrópica.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃ (OBSESSIVA)
⚖️ VEREDITO: Presidente Rose
DEONTOLOGIA (Conduta): Tinha a intenção nobre de evitar uma crise energética futura, mas traiu a confiança de aliados e atropelou protocolos de segurança por ansiedade e pressa.
UTILITARISMO (Saldo):NEGATIVO. Ao antecipar o "Dia Mais Sombrio", gerou um perigo imediato para resolver um problema de longo prazo, resultando em caos desnecessário para a região.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (ANSIOSO)
⚖️ VEREDITO: Volo
DEONTOLOGIA (Conduta): Manipulador total. Simulou amizade para usar o protagonista como ferramenta. Não possui lealdade a nada além do seu desejo de encontrar o Criador.
UTILITARISMO (Saldo):NEGATIVO. Causou a fenda temporal e o enfurecimento dos Nobres em Hisui, ameaçando o berço da civilização humana naquela era por capricho niilista.
CLASSIFICAÇÃO: VILÃO PURO
⚖️ VEREDITO: Sada e Turo
DEONTOLOGIA (Conduta): Negligência familiar e profissional extrema. Priorizaram a descoberta científica sobre a segurança global e a criação do próprio filho.
UTILITARISMO (Saldo):NEGATIVO. Criaram uma ameaça temporal (Paradox) que permanece como um risco ativo de desequilíbrio ecológico para Paldea, mesmo após suas mortes.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÕES (NEGLIGENTES)
⚖️ PRÓXIMO JULGAMENTO
Depois de analisar os 30 anos de Pokémon, você está pronto para o caso mais polêmico do Tribunal?
Descubra como a matemática prova que Light Yagami (Kira) é um anti-herói.
Light Yagami é um dos personagens mais polêmicos já criados. Isso porque ele coloca as duas grandes correntes filosóficas éticas em direto conflito: a deontologia e o utilitarismo. Light quebra quase todas as regras que a deontologia diz que uma pessoa boa deve seguir. Ele mata, mente, e não tem lealdade nem gratidão a seus aliados. Mas para o utilitarismo, o que importa é o saldo utilitário.
O SALDO UTILITÁRIO DE KIRA
À primeira vista, pode parecer óbvio que Kira tem um saldo utilitário negativo. Afinal, ele mata muita gente. Entretanto, algumas poucas páginas do mangá e cenas do anime revelam informações fundamentais: a taxa de criminalidade reduziu em 70% no mundo todo. O universo de Death Note é de baixa fantasia, o que significa que tudo é igual à vida real, a menos que se diga o contrário. Na vida real, mais de mil pessoas são assassinadas todos os dias. Portanto, ao reduzir a criminalidade em 70%, Light estava salvando mais de 700 pessoas por dia.
No mangá vemos que Light escreve os nomes em 5 colunas de 40 linhas cada. Isso dá 200 nomes por página. Mais tarde no mangá, é dito que Mikami preenche 1 página por dia, e Light acha que Mikami está matando muitos criminosos por dia, o que significa que Light matava menos pessoas por dia. Mesmo que Light matasse 200 pessoas por dia, como ele salvava 700, o saldo utilitário dele fica positivo, com menos 500 mortes por dia.
Light não matava apenas assassinos. Em tese, ele poderia causar a mesma redução no número de assassinatos matando menos gente. Mas mesmo as correntes utilitaristas que defendem que toda vida tem valor igual apoiariam o Light contra o L, pois o Light reduz o número total de mortes no mundo, e o L aumentaria o número total de mortes no mundo se tivesse sucesso. Para todas as correntes do utilitarismo, a atitude do L de tentar achar o Kira e manda-lo para o corredor da morte é indefensável. O mesmo se pode dizer de todos os investigadores. O dilema de death note é como o dilema do bonde. Para o utilitarismo, mesmo que todas as pessoas de todos os trilhos sejam inocentes, é uma obrigação moral desviar o bonde para o trilho com menos pessoas.
Quando L e os policiais que perseguem o Kira dizem que ele tem que ir para o corredor da morte porque é um assassino e viola a lei, eles estão seguindo a deontologia. Para a deontologia, a lei pode ser um fim em si mesmo. Ninguém se espanta com a frieza do pai do Light ao não se importar com a queda de criminalidade causada pelo Kira, mesmo que isso significasse que centenas de pessoas estavam sendo salvas por Kira. Isso porque as pessoas costumam esquecer que esses números representam pessoas. Mas para o utilitarismo, as pessoas representadas por números têm o mesmo valor que seus entes queridos. Se o pai do Light fizesse seu trabalho e tivesse sucesso, centenas de pessoas que seriam salvas por Kira iriam morrer e sofrer.
Para o utilitarismo, a lei é um instrumento para proteger as pessoas, e pode ser quebrada caso segui-la ponha mais pessoas em perigo. Também não há diferença entre mandar para o corredor da morte e matar o Kira diretamente. O resultado é o mesmo: Kira morto e um aumento drástico nos números de todos os crimes pelo mundo.
UNIVERSO DE DEATH NOTE X VIDA REAL
Quero deixar bem claro aqui que não estou defendendo que se faça justiça com as próprias mãos na vida real. Defender Light por seus resultados dentro do universo da obra não significa defender que se mate criminosos na vida real, assim como defender que o Batman é um dos heróis mais próximos de ser puro não significa defender que alguém se vista de morcego e bata em criminosos na vida real. Na vida real, raramente alguém é mais eficiente em resolver algum crime do que o Estado. Fazer justiça com as próprias mãos geralmente só faz com que criminosos se vinguem de você.
DITADOR?
Muita gente diz que Light seria um ditador, mas qualquer análise mais cuidadosa do universo de Death Note revela que isso está muito longe da verdade. Light não substitui o estado, ele é um poder paralelo. Ele não tem como pagar por espiões, ele não controla o orçamento do Estado, ele não controla a infraestrutura de informação, ele apenas a usa. Ele também não tem uma máquina de propaganda. As pessoas poderiam até ter medo de falar mal dele na TV, mas uma máquina de propaganda exigiria que as pessoas falassem bem dele.
Ele escolhia uma emissora de TV para ser a porta-voz dele, e as emissoras brigavam por isso por causa da audiência. Se fosse um ditador, ele se esforçaria para ter controle da narrativa. O Estado poderia limitar drasticamente o poder do Light proibindo o uso de câmeras e máquinas fotográficas. Sem saber o rosto do criminoso, ele não poderia fazer nada.
SEUS OBJETIVOS MUDARAM?
É comum que digam que os objetivos do Light mudam, e que no final, ele não se importava mais com a redução de criminalidade. Entretanto, a verdade é que ele mantém o objetivo de reduzir a criminalidade até o fim. Ele quer ser como um deus, mas ele quer especificamente ser como um deus que reduz a criminalidade. Ele fica incomodado quando Mikami começa a matar gente que cometeu crimes sem intenções más, e também quis corrigir Mikami imediatamente quando ele anuncia que vai matar gente que apenas tem histórico de criminalidade, mas não comete mais crimes. Ele pensa que o objetivo de Kira é assustar as pessoas para impedi-las de cometer novos crimes, e não tem motivo para matar quem já pagou por seus crimes. Isso acontece bem no fim do mangá.
EGOÍSTA?
Alguém que agisse por razões puramente egoístas iria exigir reconhecimento público, templos em seu nome e dinheiro. As pessoas chamam Light de egoísta, mas na verdade ele é menos egoísta que um voluntário de ONG. Ele não quer sacrificar metade de sua vida por olhos de shinigami, mas a maioria das pessoas não sacrificaria anos de sua vida por uma causa. Mesmo um voluntário de ONG pode ganhar amigos que retribuam o favor mais tarde. Light só ganhava inimigos que tentavam leva-lo para o corredor da morte. Querer impor sua visão de mundo é autoritarismo, e não egoísmo. E na verdade, no final, a maior parte da população apoia ele. São os inimigos dele que querem impor o ponto de vista deles à maioria.
PSICOPATA?
Inicialmente, Light fica visivelmente estressado quando percebe que o Death Note funciona, e no mangá ele aparece na cama sem conseguir dormir. Mas continua escrevendo nomes no Death Note para reduzir a criminalidade. Quando Ryuk visita ele, ele diz que tem problemas para dormir, perdeu 4 kg em 5 dias e fica surpreso quando Ryuk diz que não vai puni-lo. E a punição de um shinigami só poderia ser a morte. Oficialmente, Light tem 54kg e 1,79m de altura, portanto, permanece significativamente abaixo do peso. Ele é do tipo de pessoa que perde a fome se estiver sob estresse, e está sempre estressado.
Qualquer traço de psicopatia da personalidade do Light é reversível. Ao perder a memória do Death Note, ele volta à sua personalidade original, e passa a se preocupar com a Misa, recusando-se a manipular os sentimentos dela. Psicopatia é o nome popular do transtorno de personalidade anti-social, que, por definição, não é reversível. Se fosse reversível, psicopatas deveriam ser tratados como pacientes, não como criminosos a serem punidos. Portanto, mesmo que tivesse saldo utilitário negativo, Light entraria na mesma categoria do Lagarto e do Dr. Octopus, inimigos do Homem-Aranha.
L E NEAR
As falhas deontológicas de L também são graves. Ele não mata diretamente, mas tortura suspeitos. Misa chegou a implorar para que Rem a matasse após 1 semana sendo torturada por L. As pessoas subestimam o quão grave a tortura de Misa foi porque não havia sangue, nem ninguém batendo na Misa diretamente, mas manter uma pessoa amarrada exatamente na mesma posição por dias é extremamente doloroso.
Na vida real, ela estaria cheia de úlceras de pressão e não conseguiria andar por dias. Ainda assim, L continua a torturar Misa por semanas após ela pedir para morrer. Foi um ato condenável pela deontologia, e muito mais condenável do ponto de vista do utilitarismo, pois Kira tinha um saldo utilitário positivo, e tentar pegá-lo já era em si um ato indefensável.
O fim de Death Note expõe ainda mais a hipocrisia dos inimigos de Kira. Light é claramente vítima de excesso de força policial. O death note é uma arma inferior para confrontos a curta distância, mas ainda assim Matsuda atira em Light várias vezes, atingindo o tórax e o abdome. Os outros policiais impedem Matsuda de atirar na cabeça de Light, mas nem Near, nem ninguém se importa em leva-lo imediatamente para o hospital. Os ferimentos dele eram claramente fatais sem tratamento imediato, e ele quase certamente teria morrido mesmo se Ryuk não escrevesse o nome dele no caderno.
No fim do mangá, 1 ano após a morte do Kira, Matsuda diz que muitas pessoas ainda se recusam a acreditar que Kira morreu, mas a criminalidade voltou a ser o que era. O próprio Matsuda se pergunta se o que eles fizeram foi certo. Pelo ponto de vista do utilitarismo, o que eles fizeram foi indefensável, e custou a vida não só do próprio Light, mas de todas as vítimas de assassinatos que teriam sido evitados devido ao medo que os assassinos tinham de Kira. O fato de Matsuda ainda trabalhar com Near e os outros é particularmente revelador. Ele deveria ter sido preso pelo menos por tentativa de assassinato contra Light. Isso mostra que os supostos defensores da lei só a seguem quando bem entendem.
O VILÃO PURO
Death Note, na verdade, tem um vilão puro, que é o Mello. Ele quer pegar Kira não para defender a lei, mas para superar Near, não tem características deontológicas relevantes, sequestra pessoas, e é o responsável mais direto pela morte do pai do Light, que pelo ponto de vista da deontologia, é inocente. O fato de ter contribuído para a morte do Kira só deixa o saldo utilitário dele negativo para todas as subcategorias do utilitarismo, sobre as quais iremos falar nos próximos posts.
⚖️ VEREDITO: Light Yagami (Kira)
DEONTOLOGIA (Conduta): Apresenta a virtude da intenção inabalável de proteger inocentes, sacrificando sua própria saúde e paz (perda de 4kg e estresse crônico). Suas falhas (mentira e manipulação) são os meios para um fim altruísta.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):MASSIVAMENTE POSITIVO. Reduziu a criminalidade global em 70% e encerrou guerras. No cálculo frio de vidas, seu saldo é o maior registrado na ficção urbana: salvou milhões ao eliminar milhares.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-HERÓI (RADICAL)
⚖️ VEREDITO: L (Lawliet)
DEONTOLOGIA (Conduta): Possui a qualidade de dedicar-se à ordem pública, mas comete falhas graves: usa vidas como isca (Lind L. Taylor) e pratica tortura prolongada contra Misa. Age movido pelo desafio intelectual, não por empatia.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):NEGATIVO. Trabalhou ativamente para destruir o sistema que salvava 700 vidas/dia. Se vencesse, seria o responsável direto pelo retorno dos índices de criminalidade anteriores.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO
⚖️ VEREDITO: Soichiro Yagami
DEONTOLOGIA (Conduta): Exemplar sob a ótica da lei tradicional. Homem de honra e incorruptível. Contudo, ignora o saldo positivo de Kira por apego dogmático ao código penal.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):NEGATIVO. Ao tentar restaurar o sistema falho, ele trabalha para que as vítimas salvas por Kira voltem a sofrer nas mãos do crime. Sua virtude pessoal gera um dano sistêmico real.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO (DOGMÁTICO)
⚖️ VEREDITO: Mihael Keehl (Mello)
DEONTOLOGIA (Conduta): Nula. Age por inveja de Near. Sequestra civis e é o responsável direto pela morte de Soichiro Yagami.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):NEGATIVO. Suas ações não protegem ninguém. Ao desestabilizar o mundo Kira por puro ego, contribui para o retorno do caos global.
CLASSIFICAÇÃO: VILÃO PURO
⚖️ VEREDITO: Near e Matsuda
DEONTOLOGIA (Conduta): Matsuda falha pelo excesso de força (tiros em alvo neutralizado) e Near pela omissão de socorro. Ignoram a lei para satisfazer um desejo de punição.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):EXTREMAMENTE NEGATIVO. Um ano após matarem Kira, o crime voltou ao normal (100%). São os arquitetos do fim da era de paz, responsáveis morais pelo luto de milhares de novas vítimas.
O Rei Leão marcou a infância de toda uma geração. Quem não se lembra da música impactante e da cena marcante onde os animais da savana se curvam para o rei Mufasa e para seu novo herdeiro? Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela um reino bem mais sombrio. Vou considerar aqui apenas os dois primeiros filmes animados, e não as animações mais realistas, nem A Guarda do Leão, nem os curtas de Timão e Pumba, pois elas contradizem umas às outras e aos primeiros filmes.
AS PRESAS SÃO OS PLEBEUS, AS CARNES SÃO OS IMPOSTOS
Os leões são a família real de um reino em que a maioria da população é de presas. E ao contrário do que acontece em Zootopia, os carnívoros não encontram uma fonte alternativa de alimento. Uma das primeiras lições que Mufasa ensina a Simba é que eles respeitam todas as criaturas do reino, até mesmo os antílopes. Quando Simba questiona, dizendo que eles comem antílopes, Mufasa diz que quando eles morrerem, virarão grama, e antílopes comem grama. Mas isso não é respeitar os antílopes.
O leão pode viver 20 anos comendo centenas de antílopes durante sua vida. Não estou aqui defendendo vegetarianismo, mas se os animais cantam, dançam e se curvam ao rei, então nesse universo eles são pessoas. Ironicamente, os gnus, que são uma espécie de antílope, têm uma grande participação na morte de Mufasa. Mas isso é tratado tanto por Mufasa quanto por Simba e pelos criadores do filme como algo terrível, não como mais uma etapa do ciclo da vida.
O MENOR DE DOIS MALES
Dois fatores tornam plausível a cena em que animais que são presas para leões comemorem o nascimento de um leão: amigos do rei são declarados membros da corte real não comestíveis, e Mufasa mantém as hienas fora do reino. Quando Scar assume o poder, ele convida as hienas para o reino. As leoas detestam a ideia. E certamente o aumento de animais carnívoros, que antes se alimentavam de carcaças e ossos de elefante, mas que agora têm acesso a mais presas vivas, significa a morte de milhares de “plebeus “ do reino.
HAKUNA MATATA É A RESPOSTA!
Timão e Pumba resgatam Simba e ficam visivelmente incomodados quando ele diz que quer comer outros mamíferos, que são falantes nesse universo. Eles o ensinam a comer insetos, que não falam e nem parecem ter consciência. Simba cresce e fica adulto comendo insetos, o que significa que há uma alternativa mais ética para a alimentação de leões nessa realidade.Os criadores do filme tratam o modo de vida de Timão e Pumba como uma fuga da realidade e a volta de Simba ao reino como a decisão de assumir a responsabilidade. Mas o modo de vida com Timão e Pumba era muito mais ético.
NÃO HÁ COMIDA NEM ÁGUA!
A principal reclamação de Nala e das outras leoas é que Scar deixa as hienas mandarem em tudo e que não há comida nem água. A “comida” são os plebeus. Ninguém se importa com os plebeus que morreram caçados pelas hienas ou de sede. As leoas atribuem esses problemas a Scar, mas leões e hienas não causam seca. Se a falta de “comida” fosse culpa de Scar e das hienas, haveria vegetação abundante devido à falta de herbívoros para comê-la. A única explicação possível para a crise ambiental do reino é a seca.
O REI SORTUDO
Simba assume a pedra do rei debaixo de chuva, a seca acaba, as hienas e as leoas apoiadoras de Scar são expulsas. O reino volta a ser verde e cheio de súditos para serem comidos, e Simba e Nala têm uma filha.
O MELHOR REI PARA OS PLEBEUS
Simba foi o melhor rei para o povo da savana, não por se importar mais com eles, mas por ser o mais intolerante com outros carnívoros. As presas são a maior parte da população, e para o utilitarismo, não importa que elas sejam figurantes, elas têm mais peso no cálculo utilitário. Ironicamente, Scar é o pior rei não por matar Mufasa e tentar matar Simba, mas por ser o mais tolerante com outros carnívoros. Scar convidou as hienas para o reino e aceita o bando de Zira. Ele não as exila apesar de estarem insatisfeitas com ele. Sim, ele bate em Sarabi, mas alguém seriamente acha que a Zira foi exilada sem lutar? Mas quando Scar é derrotado, as hienas o devoram vivo. O fato de Scar dizer para Simba que elas eram inimigas não é motivo para isso. Ele ataca Simba depois, então ele não tinha mudado de lado.
ROMEU E JULIETA?
No segundo filme, vemos que havia um grupo de leoas leais a Scar, e que Scar inclusive adotou o filhote de uma delas. Essas leoas são exiladas do reino e vivem em um local árido e com poucas presas. Elas passam fome e querem voltar para o reino de Simba. Kiara se apaixona por Kovu, um dos filhotes de Zira. Kovu dá aulas de caça para Kiara, e só não mata Timão porque ele é amigo da família de Simba. Certamente, Kovu não confundiu o barulho de um suricato na grama com o barulho de um inseto, o que mostra que Simba, apesar de sobreviver por anos e ficar adulto comendo insetos, não acabou com a matança de mamíferos em seu reino. Naquele momento, aquilo era uma escolha, não uma necessidade.
A VOZ DO POVO!
Um dos únicos momentos em que ouvimos a voz dos plebeus da savana é durante a música “não é uma de nós”, quando Kovu estava sendo expulso do reino. A música é cantada principalmente por uma zebra e por um antílope, e muitos animais participam da expulsão de Kovu. As aves bicam, os macacos jogam pedras, cobras tentam picar e antílopes tentar chifrar. Mas os criadores do filme querem que você se importe com Kovu e Kiara, não com as centenas de plebeus inocentes que teriam que morrer para alimentar mais um leão. Por isso, “câmera” do filme foca nas expressões de sofrimento de Kovu e Kiara.
UMA TRAGÉDIA PARA O POVO!
Kiara e Kovu conseguem unir os dois bandos, e dobram o número de leões em um ecossistema em equilíbrio. Antes, os leões do exílio claramente passavam fome. Leões mais bem alimentados significam mais presas mortas. A grama é abundante e não há sinais de que os herbívoros precisem de controle populacional adicional. Os criadores querem que você acredite que esse final é feliz, e a música de fundo é calma e alegre. Mas o dobro de leões significam o dobro de mortes entre as presas. A maioria dos plebeus ficam quietos observando as novas bocas carnívoras que eles vão ter que alimentar com sua própria carne, e com a carne de seus parentes e amigos. Kovu passa boa parte do filme dizendo que ele não é igual ao Scar, mas para a maioria da população do reino, ele é exatamente isso, pois aumenta a quantidade de carnívoros no reino.
⚖️ VEREDITO: Mufasa e Simba
DEONTOLOGIA (Conduta): Falha ética grave ao sustentar um sistema onde a elite devora seus próprios súditos falantes. Seguem o "Ciclo da Vida" para justificar o consumo da plebe.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):POSITIVO (RELATIVO). Embora matem presas, eles mantêm um número menor de carnívoros no reino. Comparados ao governo de Scar, que permitiu uma matança desenfreada ao incluir as hienas, Simba e Mufasa garantem um saldo de sobrevivência maior para a população geral.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-HERÓIS
⚖️ VEREDITO: As Hienas
DEONTOLOGIA (Conduta/Lealdade): Apresentam uma ausência total de princípios éticos ou lealdade. Seguem Scar apenas pelo acesso fácil à comida e o devoram vivo no momento em que ele perde o poder. Não possuem o senso de honra ou dever que os leões (mesmo os exilados) demonstram.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):MASSIVAMENTE NEGATIVO. São predadores oportunistas que, ao serem inseridos no reino, causaram um desequilíbrio populacional e o aumento desenfreado da matança das presas. Não produzem ordem, apenas consumo.
CLASSIFICAÇÃO: VILÕES PUROS
⚖️ VEREDITO: Scar
DEONTOLOGIA (Intenção/Conduta): Apresenta uma contradição ética profunda. Possui pontos positivos ao demonstrar inclusão social (aceitar as hienas) e lealdade grupal (acolher o bando de Zira e adotar Kovu). Contudo, comete a falha deontológica máxima ao assassinar o próprio irmão para tomar o poder.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):NEGATIVO. Sua gestão foi desastrosa. Ao permitir o excesso de predadores no reino, ele elevou a taxa de mortalidade das presas a níveis insustentáveis. Sua falha não foi a seca, mas a incapacidade de gerir os recursos (plebeus), resultando em fome e matança desenfreada.
CLASSIFICAÇÃO: ANTI-VILÃO INCOMPETENTE
⚖️ VEREDITO: Timão e Pumba
DEONTOLOGIA (Conduta): Seguem a filosofia "Hakuna Matata" (viver sem preocupações). Resgatam um predador e o ensinam a não matar outros mamíferos.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):POSITIVO. Ao converterem Simba para uma dieta de insetos, eles salvaram centenas de vidas de presas que teriam sido devoradas durante o crescimento do leão. São os únicos agentes moralmente consistentes da obra.
CLASSIFICAÇÃO: HERÓIS UTILITARISTAS (REAIS)
⚖️ VEREDITO: Kiara e Kovu
DEONTOLOGIA (Intenção): Buscam a paz e a união entre as alcateias, superando preconceitos de grupo. Kiara demonstra virtude ao impedir o massacre final entre as leoas.
UTILITARISMO (Saldo de Vidas):NEGATIVO PARA O ECOSSISTEMA. Embora evitem uma guerra imediata, a união dos bandos dobra a população de leões no Reino do Orgulho. O final "feliz" do filme é, na verdade, uma sentença de morte acelerada para centenas de zebras e antílopes adicionais.